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    Missão Madrinha de Casamento
    Críticas AdoroCinema
    1,5
    Ruim
    Missão Madrinha de Casamento

    O Outro Lado

    por Francisco Russo

    Sempre que um filme faz sucesso uma série de longas parecidos é lançada em seguida. A intenção é pegar um pouco da fama alheia, explorando um filão que está em alta no momento. É o que acontece agora com as comédias adultas, que voltaram à moda após Se Beber, Não Case. Missão Madrinha de Casamento é o exemplo mais recente e bem sucedido destas “cópias”, por assim dizer. Estrelado por eternos coadjuvantes no cinema, alguns que alcançaram a fama em séries de TV, o longa-metragem teve um belo desempenho nas bilheterias americanas ao explorar o lado feminino nos dias atuais. Não apenas nos relacionamentos, mas também o enfoque profissional e até de amizade entre elas. Só que, apesar do tema, há um olhar de certa forma masculino sempre presente.

    A abertura já dá uma boa ideia do que o filme oferece ao público. Annie (Kristen Wiig, superestimada) surge transando em várias posições com Ted (Jon Hamm). A situação não a agrada, pois quer algo mais do que sexo para si, mas ela repetidas vezes volta à cama dele por não ter ninguém melhor disponível. A amiga de anos Lilian (Maya Rudolph, correta) alerta: “Você se odeia após ficar com ele”. A auto-comiseração faz parte da vida de Annie, que está em ruínas. Seu negócio como confeiteira faliu, ela detesta o atual trabalho, divide o apartamento com dois irmãos, conta com a ajuda da mãe e ainda precisa aturar o desinteresse de Ted logo após o sexo. Falta pouco para entrar em depressão de vez.

    A luz no fim do túnel surge quando Lilian a convida para ser sua madrinha de casamento. Algo que, nos Estados Unidos, tem uma importância ainda maior que no Brasil, por ser a responsável pela organização do casamento e dos eventos pré-nupciais. Annie, é claro, aceita. Só que, logo no primeiro evento, conhece Helen (Rose Byrne). Bela e rica, ela quer ser a nova melhor amiga de Lilian. As duas passam a disputar, de forma infantil, esta posição. É claro que ser a madrinha do casamento logo será também objeto de disputa.

    Missão Madrinha de Casamento é uma comédia que não faz rir, até mesmo pelo peso depressivo da vida de Annie. Por outro lado, o longa-metragem aposta no que há de pior nas comédias americanas: a escatologia. Há situações absurdas e nojentas, como toda a sequência da escolha da roupa das madrinhas e algumas cenas já perto do final, estreladas por Megan (Melissa McCarthy). Ela, por sinal, é a versão feminina de Alan, personagem de Zach Galifianakis em Se Beber, Não Case – só que sem a mesma graça. As semelhanças com o filme não param por aí, já que em determinado momento a noiva e suas madrinhas até mesmo viajam para Las Vegas, em mais uma demonstração de falta de criatividade dos roteiristas.

    O curioso em Missão Madrinha de Casamento é que, ao tentar abordar questões muito particulares do universo feminino nos dias atuais, o filme acaba caindo em estereótipos típicos dos homens. Ao menos nas tentativas de fazer rir apresentadas, com situações repetitivas e sem inspiração. Talvez até por isso tenha dado tão certo nos Estados Unidos, já que os americanos apreciam este tipo de humor, vazio e sem sutileza alguma. Para quem gosta, é um prato cheio. Já quem não estômago para tanto, é bom passar longe.

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