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A Rede Social
Críticas AdoroCinema
3,8
Muito bom
A Rede Social

UMA TEIA CHEIA DE IMPUREZAS

por Roberto Cunha

Sabe aqueles filmes que começam mal pacas? Acredite. A Rede Social começa de forma impecavelmente chata, talvez, para mostrar o quão controversa é a figura de Mark Zuckerberg, criador do Facebook, um fenômeno da internet. Será?

E o mais interessante no blábláblá entediante entre Mark (Jesse Eisenberg) e Erica (Rooney Mara) é a observação dela sobre o amigo, futuro desafeto, e as consequências disso no mundo virtual: "Você não ganha garotas porque é um babaca, e não por ser um nerd".

A história começa na famigerada Harvard, em 2003, de onde Zuckerberg, irritado com o fora que levou, começa a hackear álbuns de outras universidades, provocando entre os estudantes a vontade de comparar fotos de fulano, beltrano e cicrano. E junto com seu companheiro de primeiras horas, o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), descobre que o pulo do gato é para quem os usuários vão mandar o que pensam, as ideias, comparações, o que fosse. Ou seja, com quem dividir.

Apesar de contada entre idas e vindas no tempo, o roteiroa tem um ritmo crescente e vai conectando o espectador, a cada instante, no universo daqueles jovens brilhantes que revolucionaram, a sua maneira, as relações humanas neste início de século 21.

Assim, as constantes sequências na mesa de conciliação com advogados, réu e reclamantes não incomodam e, pelo contrário, servem para você se enfronhar na imensa teia cheia de impurezas como traição, inveja, megalomania e ódio. Porque queira ou não, você vai descobrir que essa é, na verdade, a essência da ferramenta de rede social mais popular da atualidade.

Para a turma que adora se ligar nas curiosidades, o pouco caso com a figura de Bill Gates é emblemática, assim como o contato deles com ninguém menos do que Sean Parker (Justin Timberlake), criador do lendário Napster, programa de troca de arquivos que virou de cabeça para baixo a indústria da música.

Sobre a trilha sonora de Trent Reznor, do extinto Nine Inch Nails, destacam-se duas passagens eletrônicas, claro, que lembram muito o lendário Rick Wakeman e Robert Miles, que estourou no fim dos anos  90 com o hit "Children".

Embora seja baseado no livro "Bilionários Por Acaso", o que se vê na tela grande é que o sucesso e o dinheiro, não necessariamente nessa ordem, não são bem um fruto do acaso. E um dos lances mais legais do filme, bem dirigido por David Fincher (Seven), é mostrar que a obsessão do doido em criar uma ferramenta que estabelecesse um elo entre as pessoas, mesmo que superficial, foi responsável por desfazer a única união verdadeira (de amizade) que ele tinha no mundo real.

Bem vindo ao mundo das relações virtuais. Assista o trailer em A Rede Social.

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