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O Turista
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
O Turista

FALTOU QUÍMICA

por Lucas Salgado

O cinema está longe de ser uma ciência exata. Por isso, muitas vezes um filme pode contar com um roteiro pobre e ser salvo pela boa química entre seus protagonistas (Sr. e Sra. Smith, com Brad Pitt e Angelina Jolie, me vem a cabeça). E o contrário, com um roteiro excelente compensando a falta de carisma dos protagonistas, também pode acontecer, embora seja menos comum.

Agora, um filme com roteiro pobre e com a absoluta ausência de química entre os atores principais está destinado ao fracasso. É o caso deste O Turista, que tem na relação de Johnny Depp e Jolie sua maior fragilidade.

Dois dos maiores astros de Hollywood, Depp e Jolie já provaram diversas vezes serem muito mais do que rostinhos bonitos. A dupla já apresentou interpretações memoráveis como em Garota, interrompida, O Preço da Coragem (no caso da Sra. Pitt), Edward Mãos de Tesoura e Em Busca da Terra do Nunca (no caso do ator preferido de Tim Burton), dentre muitos outros. Mas uma coisa é certa, juntos eles não funcionaram em O Turista.

Dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, que faz sua estreia no cinema norte-americano após comandar o premiado A Vida dos Outros, o longa é uma reunião de cenas constrangedoras com outras simplesmente sem sal.

O trabalho da equipe do filme é tão notoriamente infeliz que a produção gerou polêmica ao receber três indicações ao Globo de Ouro 2011, incluindo melhor filme - comédia/musical. Tais indicações foram vistas como prova da decadência da premiação, chegando até a se levantar a possibilidade dos membros da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood - entidade responsável pelo Globo de Ouro - terem recebido suborno para indicar a produção. O comediante Ricky Gervais (Uma Noite no Museu), apresentador da cerimônia este ano, chegou inclusive a fazer piada sobre a polêmica durante o evento.

"Queria acabar com esse rumor ridículo de que a única razão para O Turista ter sido nomeado foi porque os membros da HPFA queriam conviver com o Johnny Depp e com  a Angelina Jolie. Esta não foi a única razão, eles também aceitaram subornos”, brincou Gervais.

Apesar do Globo de Ouro ter classificado o filme como comédia, trata-se de uma produção sem gênero definido. E digo isso no pior dos sentidos. O longa simplesmente não sabe se é uma comédia, um thriller, uma ação etc. Nota-se que não se trata de um musical ou de uma animação, mas os outros gêneros podem estar ali, até porque o sentimento ao conferir o filme é de terror.

Paul Bettany (O Código Da Vinci), Rufus Sewell (Tristão & Isolda) e Steven Nerkoff (Três Vidas e um Destino) completam o elenco da produção, cujo único destaque talvez seja a presença de Timothy Dalton (007 – Permissão para Matar). Sempre canastrão, o ator não se sai necessariamente bem no papel, mas é interessante vê-lo em cena vários anos após viver James Bond.

Florian Henckel von Donnersmarck deveria apagar este filme de sua carreira e notar que se quiser sobreviver no cinema norte-americano deve apresentar justamente aquilo que chamou a atenção de Hollywood em primeiro lugar, ou seja, suas qualidades autorais. É certo que o cinema dos Estados Unidos não abre muito espaço para o cinema de autor, mas sendo este o caso é melhor ser seletivo do que simplesmente aceitar o primeiro projeto oferecido.

The Tourist (no original) é um dos piores filmes das carreiras de Johnny Depp e Angelina Jolie e para o bem da dupla é uma produção que tem tudo para ser esquecida na história. O longa faturou apenas US$ 64 milhões nos cinemas dos EUA, diante de um orçamento de aproximadamente US$ 100 milhões.

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