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    O Turista
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    O Turista

    PASSOU LONGE

    por Roberto Cunha

    A fórmula é simples: pegue dois nomes famosos, idolatrados, jogue na tela e todo mundo vai gostar. Assim pensou o alquimista de plantão ao bolar esta produção, mas ele "explodiu" junto com suas anotações e o motivo, claro, está nos cinemas.

    Estrelado por dois astros do cinema mundial, Johnny Depp e Angelina Jolie, O Turista aterrisa nos cinemas brasileiros com a mala cheia de boas intenções e pode se sair bem por aqui, apesar do fracasso nas bilheterias americanas.

    No estilo das novelas nacionais, o longa começa em Paris onde Elise (Jolie) é apresentada para o espectador como alguém que está sendo seguida, vigiada por câmeras, e aí um humor rasteiro entra logo em cena quando fecham um close no derrière da atriz.

    Passada a bobagem, a história começa de verdade quando ela recebe uma carta de Alexander Pearce, orientando que viaje para Veneza e, durante o percurso, escolha alguém que possa se parecer com ele, que tem rosto desconhecido depois de inúmeras plásticas, e está sendo procurado pelo agente da Scotland Yard John Acheson (Paul Bettany), por crime financeiro. De quebra, ele ainda tem um mafioso (Steven Berkoff) no seu encalço.

    Com esta bagagem de conflitos, que dá de sobra para uma bela história de gato e rato, o roteiro coloca Frank Tupelo (Johnny Depp) como a escolha de Elise dentro do trem. E apesar de um começo com diálogos sofríveis entre os dois, a trama pega embalo quando eles, já em Veneza, vão para o mesmo hotel e quarto.

    Antes que os mais afoitos pensem que "a noite vai ser boa", deste ponto em diante começam situações que vão mesclando humor e pequenas doses de ação, protagonizadas pela dupla. Perseguido de perto pelos capangas do gângster, que erram todos os tiros, e de longe pelos agentes secretos internacionais, Frank vai passeando pela perigosa aventura com bastante desenvoltura para um simples professor de matemática americano, mas Hollywood é assim mesmo. Será?

    Escrito e dirigido pelo alemão Florian Henckel von Donnersmarck, do incontestável A Vida dos Outros, a impressão que dá é que o filme, de uma maneira geral, ficou meio lá, meio cá, e acabou perdido entre seus destinos. De qualquer forma, não faltarão momentos para o público curtir como o clima de perseguição, chantagens, alguns tiros e, principalmente, aquele humorzinho raso de sempre que, se não faz mal para uns, faz um bem danado para a turma que busca só uma simples diversão.

    O Turista tem um "que" de filmes de antigamente, mais leves e menos verdadeiros. Isso fica bem claro, por exemplo, na figura do malvado vivido por Berkoff, o eterno Tenente Coronel Podovsky de Rambo 2 - A Missão. O close é fechado no rosto e seu jeitão é tipicamente estereotipado nas falas e gestos, o que fica evidente quando ele mata um dos capangas ou a heróina é jogada num sofá.

    Entre as curiosidades, a encarnação total para cima do povo americano, que pode ter atrapalhado o desempenho por lá, e a citação do Brasil como destino para quem precisa de boa cirurgia plástica. Para os que curtem citações, tem um brincadeira com o grupo de hard rock Bon Jovi (Depp é roqueiro), confundido com um buon giorno. Entre as participações, o destaque vai para as pontas de Timothy Dalton, um ex intérprete de James Bond, e do ótimo Rufus Sewell (O Ilusionista), que andou circulando pela tv brasileira no seriado Eleventh Hour: O Último Recurso.

    De resto, a conclusão que se chega é que souberam aproveitar bem a locação com suas famosas "ruas fluviais" e, do ponto de vista turístico o filme tem um charme adicional. Mas na hora de passar pelo check in da "imigração" de alguns espectadores mais exigentes, o carimbo pode ser recusado porque O Turista passou longe de um bom suspense de ação.

    Assista o trailer em O Turista.

    PS: Para quem esperava "mais" da dupla de astros, algo na linha Sr. e Sra. Smith, que resultou no casamento de Brad Pitt com Jolie, vale lembrar que a senhora Depp, Vanessa Paradis, não estava nem um pouco contente com a ideia dos dois contracenando. Portanto, para bom entendedor, uma esposa infeliz basta.

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