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    Scott Pilgrim Contra o Mundo
    Críticas AdoroCinema
    4,5
    Ótimo
    Scott Pilgrim Contra o Mundo

    Geração Videogame

    por Francisco Russo

    O mundo moderno mudou bastante os afazeres de quando se é criança. A infância retratada em filmes como Menino Maluquinho, com brincadeiras simples e ao ar livre, não mais existe nas grandes cidades. Em seu lugar, vieram a internet e o videogame, com seus termos e linguagem próprios. Como resultado, uma revolução silenciosa teve início. Não apenas os pequenos passaram a ter uma desenvoltura impressionante com aparelhos tecnológicos, como foram influenciados por ela. A rapidez vertiginosa dos desenhos e jogos por um lado desenvolveu a velocidade de raciocínio, mas também prejudicou o foco. Tudo precisa ser rápido, dinâmico, de forma que o mais importante é o que aconteça agora. A "geração videogame" já foi caracterizada no cinema, geralmente sob a alcunha de nerd, mas ganhou seu melhor significado com Scott Pilgrim Contra o Mundo.

    Mas, afinal de contas, quem é Scott Pilgrim? Um adolescente comum, inseguro, que toca guitarra em uma banda amadora e divide apartamento com um colega homossexual. Vive no Canadá e ainda sente o trauma de ter sido largado pelo "grande amor de sua vida", hoje uma cantora de sucesso. Para superá-la, tenta encontrar um novo amor. Seu alvo é Ramona Flowers, a recém chegada que vive mudando a cor do cabelo. Até então, nada diferente de qualquer comédia romântica adolescente habitual. Só que "se você deseja algo, é preciso lutar para conquistar". E Scott Pilgrim luta, literalmente. Pois para conquistar Ramona ele precisa derrotar, um a um, os integrantes da Liga dos Ex-Namorados do Mal.

    A situação bizarra é a deixa perfeita para uma enxurrada de referências à estética da geração videogame. De músicas eletrônicas de famosos jogos, como Super Mario Bros, até elementos dos mesmos, como ganhar uma vida extra. Do enquadramento típico das histórias em quadrinhos, inspirado na graphic novel a qual o filme é baseado, a piadas autoreferentes sobre adaptações para o cinema. Da trilha sonora explorando o rock agressivo à sua representação visual, usando desenhos indicando a propagação do som e o peso do que é tocado. E, acima de tudo, a edição ágil e frenética, que dá a cada luta um clima típico de Street Fighter. Tudo temperado por deliciosas onomatopeias, no melhor estilo da série de TV do Batman nos anos 60, que dão um charme extra.

    Além disto, o filme conta com um elenco afiado. Michael Cera empresta seu perfil de adolescente sensível para compôr um Scott Pilgrim que precisa enfrentar seus medos e ansiedades para conquistar Ramona. É o mesmo tipo de personagem que o ator já fez em Juno e Superbad, só que desta vez melhor explorado pelo roteiro. Mary Elizabeth Winstead faz uma Ramona de olhar triste e penetrante, pela sua vida pregressa e o que traz para Pilgrim. Há a instabilidade típica da idade, representada pelos próprios cabelos, e a vontade de seguir em frente. Há ainda Kieran Culkin, roubando a cena em diversos momentos, e os integrantes da Liga, todos estereotipados ao extremo. E, também por isso, divertidíssimos.
     
    Scott Pilgrim Contra o Mundo é extremamente dinâmico, graças à sua edição e a piadas atuais e muito inteligentes. É um filme onde a linguagem audiovisual é tão importante quanto o roteiro. Méritos para o diretor Edgar Wright, que soube captar o clima da geração videogame e transpô-lo para a tela de forma inovadora, explorando os vários recursos que tinha em mãos. Um filme para rir muito e que, ao mesmo tempo, aponta para quem são os adolescentes de hoje.

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    Comentários

    • _guintter
      guitarra?
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