Críticas AdoroCinema do filme Homem de Ferro 2
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Críticas AdoroCinema Homem de Ferro 2

5,0

De Roberto Cunha

O que Você busca ao entrar na sala escura para ver um filme assim? Se a resposta é diversão, não pense duas vezes e siga em frente. Se quer um conteúdo mais elaborado e tramas mirabolantes (opa!), o caminho não é por aqui.

As primeiras cenas de Homem de Ferro 2 foram bem divulgadas, mas foi ótimo constatar que o impacto no cinema é diferente. Na história, Tony Stark (Robert Downey Jr.) está sendo atacado em duas frentes: problemas de saúde (até ele) e uma briga política sobre o fornecimento de armas para o governo, já que o concorrente Justin Hammer (Sam Rockwell) quer o seu quinhão.

Pode parecer bobagem, mas entre as coisas mais legais deste tipo de filme é que não se vê muito sangue, mas mesmo assim a sensação de "vitória" existe para o espectador. Tem porradaria, tiro e explosão pra tudo que é lado, mas não mostra ninguém morrendo ou morto.

E mesmo sem cobrar conteúdo, dá para pinçar umas pérolas legais sapecadas no texto. Além do humor constante, existem frases interessantes como um vilão que se diz satisfeito porque "fez Deus sangrar", um herói que diz ter "privatizado a paz mundial" ou um empresário afirmando que os CEOs das empresas só "pensam em destruir".

A tecnologia no escritório de Stark é um barato e as sequências de ação são mentirosas, mas espetaculares. Quando Chicote Negro (Mickey Rourke) entra em cena na pista de corrida, por exemplo, é contagiante. A briga do herói com Máquina de Guerra (Don Cheadle) ou o confronto com o inimigo é quadrinhos puro, mas passando ali na sua cara. Por essa razão, não é difícil vibrar quando Tony Stark coloca a armadura.

O elenco foi bem aproveitado e dirigido por Jon Favreau. Além dos já citados, Scarlett Johansson (Viúva Negra) protagoniza uma memorável sequência de ação e Nick Fury (Samuel L. Jackson) traz a sobriedade necessária (e estilosa) para "baixar" o ego inflado do herói. Ah! E formaliza a presença dele em Os Vingadores (outro filme), através de uma sacada bacana do roteiro.

O ritmo alucinante tem trilha sonora compatível. Pra resumir, começa com "Shoot to Thrill" e fecha com "Highway to Hell", ambas do AC/DC. Se não faz ideia de quem são eles, esqueça. Tem também o Queen e esse, certamente, Você já ouviu falar. Uma curiosidade triste? Não toca "Iron Man", do Black Sabbath.

Das coisas que poderiam ser evitadas, uma é o descontrole emocional do herói, gerando uma dança ridícula. Outra é o palito na boca de Chicote Negro, tão constante que, fosse em outra época, teria garantido o merchandising dos roliços de madeira Gina (nossa! fui longe). Sem contar que lembra Stallone Cobra. Entre as curiosidades, James Joyce e seu "Ulisses" no meio do texto.

Assim, se os fãs dos quadrinhos não gostarem porque este não é superior ao primeiro, será uma crueldade porque o filme é pura diversão e, como tal, deve ser aproveitado ao máximo, deixando de lado preconceitos puristas de que faltou isso ou aquilo. Portanto, caro leitor, não tenha dúvida Homem de Ferro 2 não enferrujou e brilha no cinema perto de você.

1,5

De Francisco Russo


Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado

 
A famosa canção de Cazuza poderia ser encaixada na trilha sonora de Homem de Ferro 2. Afinal de contas, exagerado também é Tony Stark. Narcisista ao extremo, tudo que acontece ao seu redor tem dimensões muito acima do comum. Quando Stark está bem, tudo vai muito bem. Quando está mal, tudo vai muito mal. Estes altos e baixos emocionais norteiam o segundo filme do herói da Marvel, mais uma vez personificado com muito sarcasmo e gaiatice por Robert Downey Jr.
 
A história começa seis meses após o término do filme original. A identidade do Homem de Ferro é pública, o que desencadeou uma verdadeira corrida pela fabricação de armaduras similares. Apesar da pressão do governo, Stark se recusa a fornecer os segredos de seu invento. "Servirei a nação da maneira que quiser", brada. Sua atitude debochada gera inimigos, em especial Justin Hammer (Sam Rockwell, caricato e infantilizado). Em paralelo, Stark corre risco de vida. O uso prolongado da armadura afeta seu organismo, liberando toxinas cada vez mais nocivas. A morte é palpável e esta percepção o afeta de forma drástica.
 
O grande problema de Homem de Ferro 2 é não ter muita novidade a apresentar. A velha máxima do "time que está ganhando não se mexe" foi aqui aplicada, repetindo ingredientes apresentados com frescor no filme original. Com isso, a sensação de repetição e de mais do mesmo é inevitável. Por outro lado trata-se de um filme bem feito, com todos os méritos técnicos que milhões de dólares podem proporcionar, mas que se baseia quase que exclusivamente no carisma de Downey Jr. E este quase fica por conta de Scarlett Johansson.

A melhor cena do filme é de Johansson, mais exatamente sua luta, já perto do final, contra diversos seguranças. Não se trata de uma grande atuação, mas de uma bela caracterização. A Viúva Negra apresentada é fria e calculista, provocando uma rápida identificação de quem já conhece a personagem. É a velha fidelidade sendo mais uma vez aplicada, essencial para o sucesso de qualquer adaptação dos quadrinhos.
 
No mais, impressiona a apatia de boa parte do elenco coadjuvante, em especial Don Cheadle e Gwyneth Paltrow. Mickey Rourke compõe bem o vilão bizarro, apesar do roteiro insistir com piadas tolas como o sotaque russo ao dizer "my bird". Outra derrapada foi o confronto entre Homem de Ferro e Máquina de Combate. O conflito entre Tony Stark e James Rhodes era necessário pelo roteiro, mas não a briga entre seus alter egos. Sua presença tem a mais a ver pelo lado simbólico de confrontar os personagens, de forma a gerar uma cena de ação desnecessária e, pior ainda, mal justificada.
 
Homem de Ferro 2, apesar de seus vários defeitos, não é ruim. Fica bem aquém do original, mas consegue ser um filme de ação razoável. Destaque também para as várias aparições de Nick Fury, que fazem com que este seja um passo importante rumo ao futuro filme dos Vingadores. Só que, para a provável sequência, será preciso fazer algo mais do que apostar apenas em bons efeitos especiais e em Robert Downey Jr., por melhor que ele encarne o sempre exagerado, mas competente, Tony Stark.

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