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Os coroas também zoam
De Roberto Cunha
Se existe uma realidade no mundo da ficção, ela se traduz na redução sistemática de papéis para atores e atrizes mais velhos na vida real. Desta forma, fazer um filme com elenco idoso, por si só, já é uma proposta ousada. Se a ideia, ainda por cima, é "brincar" com situações comuns e tristes ligadas a essa turma, o risco é ainda maior. A boa notícia é que E Se Vivêssemos Todos Juntos? vai por esse caminho e o que encontramos é um resultado bastante simpático.

Na história, Jean (Guy Bedos) é um cara revoltado, mas Annie (Geraldine Chaplin) casou-se com ele e sabe muito bem como acalmar a fera, usando seu corpo. Albert (Pierre Richard) não esquece seu amor pela esposa Jeannie (Jane Fonda), mas já precisa anotar tudo para lembrar de outras coisas. Enquanto isso, Claude (Claude Rich) é um solteirão convicto, lê "Memória de Minhas Putas Tristes" (Gabriel García Márquez) e não dispensa a presença de uma nova parceira na cama. Em comum, eles têm o amor um pelo outro, ainda que fora de sintonia. Até o dia em que surge a ideia de morarem juntos, fazendo com que essa comunidade hippie setentona (não setentista) traga a reboque velhas experiências e novas consequências para suas vidas.

Em seu segundo longa na direção, Stéphane Robelin também escreveu esse roteiro e entregou um filme coeso e com ritmo na sua proposta de abordar o fim de todos nós, não sem antes bater ponto nos percalços que o antecedem, como o Mal de Alzheimer, a "hospedagem" em asilos, entre outros. A diferença, porém, está na maneira como isso foi colocado, sempre com doses inteligentes de humor, que ajudam a suavizar sérias questões.
No elenco, veteranos pra lá de afiados dão trabalho para identificar um só destaque, o que é positivo. A curiosidade fica por conta da presença do jovem Daniel Brühl. Ele fez o insistente herói nazista de Bastardos Inglórios e que aqui também foi confundido como um servidor de Hitler. Seria coincidência ou uma citação Tarantinesca do autor? Cheio de diálogos realistas, que reforçam a ideia de que idosos "não são anjos" ou que a sexualidade sempre existiu (antes mesmo da famosa pílula azul), é inspirador constatar, apesar do final triste e significativo, que os coroas também zoam e se divertem.
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