Em maio de 2015, Luciano Huck, Angélica e seus três filhos, Joaquim, Benício e Eva, sobreviveram a um terrível acidente de avião que marcou para sempre a vida dos apresentadores de TV. Os momentos de tensão fizeram com que eles aprendessem lições profundas e, inclusive, descobrissem a sensação de proximidade com a morte.
Tudo aconteceu no Mato Grosso do Sul, a cerca de 30 km de Campo Grande, quando a família voltava de uma gravação do antigo programa Estrelas, apresentado por Angélica. Eles embarcaram em um avião de pequeno porte para um voo de apenas 40 minutos, mas uma falha no sistema de combustível transformou a viagem em um verdadeiro filme de terror.
“Antes da morte, tem um silêncio. Isso foi uma coisa muito curiosa que todos sentiram, inclusive as crianças. Quando o avião foi tocar o solo, teve um vácuo de tudo, de tempo que todo mundo sentiu. Mas depois vieram aprendizados, cada um de um jeito”, contou Luciano em entrevista ao podcast PodPah, em 2023.
Reprodução/TV Globo
O avião bimotor começou a perder altitude e todos gritavam quando Luciano percebeu o que realmente estava acontecendo. Além da família Huck, também estavam a bordo as babás Marcileia Eunice Garcia e Francisca Clarice Mesquita. A tripulação era formada pelo piloto Osmar Frattini e pelo copiloto José Flávio Zanatto.
"A gente estava voando e, uma hora, o avião dá uma desacelerada e tomba uma asa de lado. A Angélica já olhou pra minha cara, e eu olhei (para o painel) e vi que já tinha perdido um motor [...] Estávamos a 13 minutos de Campo Grande, a 8 mil pés de altitude, o que não é muito alto, mas também não é muito baixo”, relatou.
Em certo momento, com todos em estado de pânico, o apresentador percebeu que só lhe restava ser sincero com a esposa. Ao vê-la implorando para que os pilotos pousassem, ele disse: "A gente não vai pousar, a gente vai cair [...] E aí a hora que ele [o avião] bate no chão é aquilo que você não explica. É muito barulho, muita energia”.
Felizmente, todos sobreviveram e tiveram apenas ferimentos leves, mas as crianças ficaram muito assustadas ao verem os pilotos com o rosto ensanguentado após a queda.
“Em uma das pancadas eu senti uma dor muito forte nas costas. E aí o piloto sai, abre a porta atrás e a gente desce. Na hora que a gente desce, é muito zoado. Primeiro ver se estava todo mundo vivo, aí eu olhei pra todo mundo. A Eva estava com dor na barriga, eu com dor nas costas, todo mundo muito assustado”, recordou.
Depois do acidente, o casal concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Nacional. Ao repórter José Roberto Burnier, Angélica relembrou: "A gente estava inteiro dentro do liquidificador e, por isso, eu digo que foi Deus, foi um milagre, porque tudo quebrou, menos a gente".
Cada membro da família reagiu de uma forma diferente ao trauma. Angélica, por exemplo, desenvolveu síndrome do pânico e chegou a ter uma crise fortíssima durante uma viagem a Nova York, quando travou no meio da rua e precisou de medicamentos ansiolíticos para conseguir retornar ao Brasil, mas não se adaptou ao tratamento.
Apesar de tudo, o que restou dessa história foi apenas muita gratidão. Luciano Huck lembra do episódio até hoje como uma segunda chance de viver e, sem dúvidas, uma oportunidade de enxergar a vida com mais valor.
“Agora, em 2025, faz dez anos exatos. Digo que a Angélica e eu nascemos duas vezes. Sou um cara muito organizado e nossos filhos confiam muito na gente. E fui eu que coloquei as crianças naquele avião... E foi aquele avião que caiu. Na hora que eu perco o controle das nossas vidas e deles... Mas acho que, olhando para trás, hoje com todos bem, foi uma benção, uma gratidão enorme estar todo mundo aqui com saúde”, refletiu no Altas Horas.