Crítico musical na década de 1970 e jornalista de grandes reportagens no início dos anos 2000, Maurício Kubrusly deixou marcas na memória de muitos brasileiros, principalmente por seus trabalhos na TV. No entanto, é o comunicador que já não se lembra mais de toda a sua trajetória. Diagnosticado com demência em 2023, sua história virou documentário no streaming - para nunca mais cair no esquecimento.
Reprodução/Kubrusly: mistério sempre há de pintar por aí
Kubrusly: Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí foi exibido pela primeira vez durante a abertura da 11ª Mostra de Cinema de Gostoso, em São Miguel do Gostoso (RN), em 2024. Dirigido por Evelyn Kuriki e Caio Cavechini, o documentário também está disponível no catálogo do Globoplay.
Documentário conta com a participação de Gilberto Gil
O título do documentário conta com um trecho da música Esotérico, de Gilberto Gil, de quem Maurício sempre foi fã. Aliás, o interesse por música é algo que permanece até os dias de hoje e também serve como fio condutor do filme. Em uma das cenas, o músico baiano toca violão, e Kubrusly resolve tirar sua esposa, Beatriz Goulart, para dançar.
Reprodução/Kubrusly: mistério sempre há de pintar por aí
Ao longo da sua carreira, Maurício passou pelo Jornal do Brasil, Jornal da Tarde e Folha de São Paulo. Porém, um dos sus primeiros destaques como jornalista foi na revista Somtrês, de 1979, a primeira especializada em música do Brasil.
Kubrusly dirigiu e ajudou a fundar o periódico, que ficou dez anos em circulação. Foi durante esse período que ele se consagrou como crítico musical, reconhecendo o trabalho de grandes artistas, como Gilberto Gil, Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé.
Destaque no Fantástico
O filme também mostra a experiência de Maurício Kubrusly à frente do Me Leva, Brasil, quadro do Fantástico exibido entre 2000 e 2017. Durante os quase 20 anos na apresentação do quadro, Maurício passou por várias regiões do país e presenciou as histórias mais absurdas, como um ensaio nu de Carla Perez no Pelourinho, em Salvador.
Porém, a grande surpresa revelada pelo documentário é que, apesar do sucesso do quadro, Kubrusly não queria trabalhar na frente das câmeras e até resistiu em ir para a televisão. Evelyn, que está no comando do documentário e também produzia o Me Leva, Brasil, contou ao jornal O Globo que, mesmo com toda resistência, o colega de trabalho se transformava na hora de gravar.
Kubrusly sempre foi um jornalista inquieto. O Me Leva, Brasil nasceu desse sentimento. Ele era pura linguagem. Quando pegava o microfone, alguma coisa acontecia
História de Maurício Kubrusly também vai virar livro
Reprodução/Memória Globo
Aos 79 anos de idade, Maurício Kubrusly se afastou da TV em 2019, depois de 34 anos de Rede Globo. No entanto, seus colegas de trabalho estão determinados a imortalizar a sua história. Em 2025, a vida do repórter vai virar livro. Alberto Villas, com quem Maurício trabalhou no Fantástico, lançará Kubrusly, Lembra?, pela Geração Editorial. Uma mistura de biografia e almanaque, o livro recordará momentos divertidos da trajetória do jornalista.