Aladdin
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Vinicius Monteiro
Vinicius Monteiro

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Crítica da série
3,0
Enviada em 4 de setembro de 2026
Revisitar a série animada do Aladdin hoje traz um grande choque de realidade. Se por um lado a nostalgia nos lembra de uma expansão corajosa de Agrabah, explorando os Sete Desertos e introduzindo vilões complexos e genuinamente ameaçadores — como o estratégico necromante Mozenrath e a deusa do terror psicológico Mirage —, por outro, o olhar adulto revela falhas difíceis de ignorar. A série frequentemente abandona a rica mitologia do Oriente Médio, presente no filme de 1992, para abraçar elementos absurdos e destoantes de ficção científica, como alienígenas, dinossauros e robôs. Além disso, vilões secundários cômicos e incompetentes acabam minando a tensão das aventuras.

O maior problema, no entanto, está no tratamento dos personagens. Os roteiros nivelam a inteligência dos protagonistas por baixo: Aladdin e Jasmine, antes extremamente perspicazes, caem em armadilhas ingênuas apenas para gerar conflitos fáceis, e a princesa sofre com uma personalidade inconstante que varia entre guerreira e mocinha indefesa. Os coadjuvantes também perdem o brilho, com Iago monopolizando a tela de forma cansativa e Abu sendo rebaixado a um recurso preguiçoso para iniciar problemas. O Gênio sofre tanto com a ausência do improviso de Robin Williams no áudio original quanto com roteiros que constantemente inventam desculpas esfarrapadas para neutralizar seus poderes.

Somado a tudo isso, a animação terceirizada para diferentes estúdios resulta em uma qualidade visual caótica, com quedas bruscas de padrão entre os episódios. No fim das contas, o saldo da série é dividido. Fica evidente que o desenho foi um produto diluído pela pressa corporativa para preencher a grade de TV dos anos 90, mas que ainda guarda um charme inegável. É uma experiência que vale a pena para matar a saudade e garimpar os bons momentos, desde que o espectador embarque com as expectativas devidamente ajustadas.