Críticas de usuários para Vale o Escrito - A Guerra do Jogo do Bicho
Vale o Escrito - A Guerra do Jogo do Bicho
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Adriano Côrtes Santos
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Crítica da série
4,5
Enviada em 29 de dezembro de 2024
Retrato abrangente e corajoso do jogo do bicho; pesquisa profunda e narrativa envolvente. "Vale o Escrito" é uma série documental que oferece um retrato abrangente da formação do jogo do bicho no Rio de Janeiro, explorando suas origens, evolução e impacto na sociedade carioca. Série ótima por sua abordagem corajosa e detalhada sobre um tema complexo e controverso. Ela investiga e nos passa profundidade da pesquisa e a capacidade de apresentar múltiplas perspectivas, proporcionando uma compreensão rica do fenômeno. No entanto, (senão seria nota máxima) a narrativa poderia ter explorado mais as implicações sociais e políticas contemporâneas do jogo do bicho.
SEM SAÍDA. De todas as pessoas que aparecem ao longo do documentário, entrevistadas ou enfocadas, quantos se salvam moralmente, eticamente, do suco de chorume em que chafurda o Rio de Janeiro? "Todo o Rio sabe que foi ele", diz uma das entrevistadas, sobre o mandante de um crime. E segue a vida. A mulher de um miliciano faz juras de amor ao falecido que adorava torturar pessoas enquanto se esbalda no dinheiro que vem da contravenção. Esse documentário explicita, com personagens e pelos personagens que enfoca, que realmente não há saída. Toda a riqueza e a opulência vista nos sete episódios é produto de contravenção, perseguições, tortura e mortes. Está tudo muito claro. E há quem veja uso "político" ou "perseguição" aos seus mitos decaídos. O sistema se alimenta desses para que aqueles vivam bem. DEZ, NOTA DEZ!
O usuário que avaliou como zero este documentário, trouxe para um âmbito muito interessante que o documentário aborda: o culto a personalidade, mesmo que criminosa. Esse é um dos pequenos fragmentos, trabalhados com excelência no documentário. Sim, aqui vemos um vencedor de prêmios e lembrou o porque a Globo se tornou o que é. O texto em nenhum momento traz um maniqueísmo, e nem precisa: ele tá intríseco na própria cidade do Rio. Em algum momento do doc, você precisa retornar e entender que tudo que está sendo abordado, é real, tamanha surrealidade com que são tratados assuntos seríssimos. Parte muito da personalidade carioca (este que vos escreve é do carioca suburbano), esse jogo de humor com a morbidade . O Bandido em algum momento se torna herói, ou uma figura absolutamente carismática, a ponto de despertar uma determinada torcida. Isso acontece em todos os âmbitos, nas comunidades onde traficantes viram antagonistas, na história do crime e da violência da cidade mais emblemática do Mundo. O Documentário consegue, exprimir de alguma maneira, como o carioca trata cada um desses assuntos que aos olhos de qualquer pessoa, seria um absurdo. Prefiro então escrever não sobre o que se mostra, mas a sensação que ver nos traz. Ao final da série, você se pergunta qual o próximo passo, sendo que o próximo passo não é ficção, o que remete que estamos esperando o desenrolar dos fatos, violentos ou não, para os próximos capitulos. A série é brilhante, a melhor da plataforma, e marca uma formula que dá muito certo no Brasil: a nossa realidade tem um poder de fascínio muito maior que a ficção.
É certo dizer que as famílias controladoras do Jogo do Bicho, no Rio de Janeiro, têm muitas semelhanças em seu modo de agir com aquelas que formavam a máfia italiana. A série documental “Vale o Escrito: A Guerra do Jogo do Bicho”, dirigida por Ricardo Calil, reforça essa certeza.
Ao fazer a crônica das histórias dessas famílias e de seus personagens mais marcantes, a série acaba abordando temas que são típicos deste tipo de relato, como o dinheiro em abundância, a disputa pelo poder, as traições internas, o código de ética peculiar, a sucessão familiar, o poder paralelo, a corrupção generalizada, a política de pão e circo (tão bem representadas pelas escolas de sambas das quais os bicheiros/contraventores são patronos), os escândalos, os crimes, as extravagâncias e a violência.
Chamam a atenção também o quanto as histórias desses personagens estão diretamente relacionadas com a própria decadência moral, política e ética do estado do Rio de Janeiro.
Numa linguagem extremamente tradicional, com o uso de muitas imagens de arquivo e de muitas narrações em off, “Vale o Escrito: A Guerra do Jogo do Bicho” é uma série viciante, do tipo que você assiste num fôlego só; com personagens fascinantes e com uma história que tem tantas ramificações que a gente sabe que é uma questão de tempo para que uma nova temporada surja, ainda mais depois de tanto sucesso conquistado por essa primeira.
Que belo trabalho jornalístico comandado pelo Pedro Bial... Retrato do Brasil, do Rio, do Carnaval enfim da sociedade brasileira!!!Ótimas entrevistas e muita coragem de todos envolvidos que falaram...
A Globo atual ñ é ela se ñ vincular ou tentar desgastar Bolsonaro, virou uma doença, a série tinha tudo p/ ser boa, história real, personagens fortes...mas de forma psicopata Pedro Bial com narrativa sombria força e deixa de lado o que realmente o público quer ver na série ao invés das narrativas tendenciosas, aliás pela nova decisão do STF pegaria de cheio a maculação criminosa!
Muito bom!!!! A linha investigativa, a forma de apresentação tanto dos fatos quanto dos personagens, as entrevistas exclusivas. Pergunta que não quer calar: todos no Rio de Janeiro tem ligação com a contravenção. Só a Globo que não? Não me pareceu, sobretudo pelo fácil acesso a eles. Todos sabiam estar falando com um parceiro.
Não usarei palavras difíceis para expressar meu descontentamento. Acredito que os repórteres tinham um bom material, porém ao invés de expressar fatos, ideias e relatos do acontecimento, ocultaram o que acontecimentos, como sempre tendendo a opinião pública e exagerando em cenas sexuais, mostrando como sempre a mulher como um objeto, um lixo algo secundário mesmo no esquema do bicho,que tem que aceitar tudo e indefesa. Então pergunta que não quer calar porque no dia da morte do maninho ele estava de moto e sem colete?Quem avisou que ele estava ali? E porque permitiram a sua morte na alta cúpula? Para imortalizar seus conteúdos tem que contar os fatos e não fazer mais de uma das suas péssimas novelas, o pensamento da população mudou por isso filmes, novelas e documentários estrangeiros fazem tanto sucesso nem tudo tem que ser sobre sexo.
Mostra com uma grande riqueza de detalhes, as famílias que controlam o RJ com o popular Jogo do Bicho; Suas ligações com as escolas de samba, com milicianos e outros criminosos, com autoridades políticas e também membros famosos da sociedade civil. Impossível achar algum defeito em uma série que conta com a narrativa dos próprios Bicheiros e familiares, quem discorda está cego desta realidade que conecta a história da cidade do Rio de Janeiro com o Jogo do Bicho e suas consequências de acordo com suas associações e parcerias.
Um documentário tão bem feito que em alguns momentos você esquece que aquilo ali é a vida real. Roteiro de cinema, cenas reais que nos causam espanto por tamanha crueldade. Briga dentro da família e entre famílias. Quem está no poder sempre será o alvo. É o Game os Thrones nas ruas do Rio de Janeiro!
Excelente documentário que mostra a dinastia do jogo do bicho no RJ, a conivência policial, os políticos que disso se beneficiam, e toda a gama de crimes gravíssimos que o gravitam. O domínio do carnaval pelos contraventores, e seu glamour, traz o apoio da população, e os políticos abutres em consequência. Mostra até o envolvimento com o escritório do crime na morte de Mariele Franco, sem apontar mandante, mas questionando quem seriam os interessados. E o futuro, com as milícias cariocas querendo entrar no mundo do carnaval pelas categorias de acesso. Recomendo.
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