O que X-Men '97 faz com a história dos mutantes é algo que poucas adaptações conseguiram: trata os personagens como pessoas de verdade, coloca consequências reais nos acontecimentos e não tem medo de levar a narrativa para lugares pesados. Tudo isso mantendo o espírito da animação dos anos 90.
A destruição de Genosha é o grande ponto de virada da temporada. Não é só um evento chocante — é um massacre que muda completamente o rumo da história. Ver Magneto tentando liderar a ilha para um futuro pacífico só para tudo ser obliterado em segundos é de partir o coração. A cena dele, impotente no espaço, vendo o lugar virar pó, sem conseguir salvar ninguém, diz tudo sem precisar de uma palavra. E isso não some no episódio seguinte, o impacto se espalha por todo mundo. Rogue, Gambit, os X-Men, os humanos, até Bastion — cada um tem sua reação, e nada fica no "ok, seguimos em frente".
Jean Grey e a revelação de Madelyne Pryor também são momentos incríveis. A confusão de Jean ao perceber que Scott seguiu em frente com uma versão dela mesma (e que agora tem um filho com essa mulher que tecnicamente nem deveria existir) traz um drama que a franquia raramente explora com tanta profundidade. A cena em que Jean percebe que as memórias dela não são apenas dela, que há buracos e fragmentos que não fazem sentido, é de arrepiar.
E falando em drama, ninguém sofre mais que Rogue. Perder Gambit daquele jeito em Genosha é algo que a destrói completamente. A cena dela segurando o corpo dele, implorando para ele falar alguma coisa, mas percebendo que já era tarde demais... É o tipo de coisa que faz sentir um peso real na perda. Quando ela finalmente volta à ação, dá pra ver que algo mudou. A forma como ela enfrenta Bastion é muito mais agressiva, sem hesitação.
Bastion, aliás, é um vilão que cresce aos poucos, mas quando ele assume o controle da história, o nível de ameaça vai lá pra cima. A Operação: Zero Tolerância faz os Sentinelas parecerem brincadeira. Eles não só caçam mutantes — eles desconstroem tudo o que os X-Men representam. A forma como ele captura e tortura Wolverine, usando tecnologia para forçá-lo a reviver seus piores momentos, é brutal. A luta final em Asteroid M não é só sobre derrotar o vilão, mas sobre segurar um mundo que está desmoronando. E o momento em que Magneto toma uma decisão definitiva... ali fica claro que o ciclo de ódio nunca acaba.
A animação também merece elogios porque traz toda essa história com um nível de detalhe absurdo. As lutas não são apenas rápidas trocas de golpes — tem peso, estratégia. O momento em que Wolverine, mesmo todo detonado, se levanta para enfrentar Bastion diz muito mais sobre o personagem do que qualquer fala.
E claro, tem os momentos mais leves, como a dinâmica de Roberto e Jubilee, que traz um pouco de alívio sem parecer deslocada. O episódio do arcade poderia ser filler, mas acaba servindo pra mostrar o impacto de tudo isso nos personagens mais novos.
No final, X-Men '97 não é só um revival. É uma evolução da história dos mutantes, que respeita o que veio antes, mas também traz novas camadas, novas dores e novas batalhas. Não tem final feliz fácil, e isso faz tudo parecer mais real.