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Gabriela Santos
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Crítica da série
5,0
Enviada em 28 de janeiro de 2025
O roteiro é estruturado de uma forma que nos deixa curiosos para entender o porquê do término do casal. A cada episódio, um minuto a menos é dedicado ao passado e um a mais ao presente. A fotografia acompanha essa transição de tempo, alternando entre cores quentes e frias para simbolizar cada momento. Os protagonistas entregam atuações sinceras que nos aproximam da história, pois são pessoas comuns.
Ao invés de série, eu classificaria "O tempo que te dou" como um filme em 10 partes, uma vez que dificilmente não iremos assistir de uma vez, até mesmo pela curta duração dos episódios.
A proposta é bem interessante de se passar passado e presente e ir mudando o tempo dedicado a cada uma dessas partes em cada episódio. Contudo, ao meu ver, o presente tem pouca força. Mesmo no final, no qual tem um tempo maior dedicado, o presente sempre fica em segundo plano e o interessante é o que se passa no passado. Como ponto positivo, a história do casal é bem construída, desde o primeiro encontro até a separação.
O Tempo Que Te Dou, série espanhola da Netflix criada por Nadia de Santiago, não é apenas uma história sobre o fim de um relacionamento, mas um estudo sensível e minucioso sobre o processo de luto amoroso, e, mais profundamente, sobre como a memória e o tempo se entrelaçam quando tentamos seguir em frente.
A série se desdobra em 10 episódios curtos, de 11 minutos cada, mas isso não significa superficialidade. Muito pelo contrário, a concisão é aliada da intensidade. Cada episódio é dividido entre passado e presente, começando com mais tempo dedicado às lembranças e, aos poucos, deslocando o foco para o agora. Esse recurso narrativo não é gratuito, pois traduz o movimento interno de Lina, protagonista e alter ego da criadora, que tenta reorganizar sua vida após o fim com Nico.
O tempo, que dá nome à série, é o fio condutor. Não apenas como cronologia, mas como sensação. Porque o luto amoroso não segue lógica, nem calendário. Ele invade em ondas. E a série traduz isso com simplicidade poética, memórias surgem sem aviso, desencadeadas por cheiros, paisagens ou o mais banal dos gestos. O espectador acompanha essa travessia silenciosa com uma intimidade quase desconfortável.
A atuação contida, o uso sutil da trilha sonora, a fotografia naturalista e a ausência de grandes clímax fazem da série uma exceção no catálogo da Netflix, mais afeita a narrativas espetaculares. O Tempo Que Te Dou aposta no comum, no cotidiano, e por isso mesmo toca tão fundo. Lina não é feita para ser admirada, nem julgada. Ela é feita para ser sentida.
Ainda que a proposta minimalista possa não agradar a todos, e que a ausência de maiores arcos dramáticos possa gerar certa frustração em quem espera resoluções tradicionais, é justamente essa recusa em "encerrar" que torna a obra tão verdadeira. Porque, muitas vezes, o fim de uma história de amor não é um ponto final, mas uma vírgula prolongada, que vai sendo silenciada com o tempo.
Ao final dos 110 minutos totais, o que se tem não é uma história sobre amor, mas sobre permanência e desapego. O Tempo Que Te Dou não ensina a esquecer, ensina a lembrar com menos dor. E isso, na sua economia de palavras e gestos, é de uma grandeza rara.
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