Stranger Things (5ª Temporada) 2025
A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.
"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.
A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).
A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.
A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.
E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things".
Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.
Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.
Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.
O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.
Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção.
Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações.
O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor.
O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo.
O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze.
O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5.
Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo.
Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa.
A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas.
E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa.
Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena!
Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem.
A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo.
Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.
Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna.
Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.
Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.
Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.
E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!
E parafraseando o meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale":
"A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!"
⭐⭐⭐⭐⭐
01/08/2026