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Jc V.
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Crítica da 1 temporada
4,0
Enviada em 16 de outubro de 2017
"Sou o fogo que queima sua pele, sou a água que mata sua sede" dizem as primeiras estrofes da lindíssima abertura de Narcos. Quem é sagaz logo percebe que, nesse contexto, a canção não se refere ao amor. Pode ser a cocaína, o vício, diriam alguns, mas a verdade está numa camada ainda mais abaixo. O fogo e a água inebriantes se referem na verdade ao Dinheiro. Esse sim uma droga difícil de largar. Pablo Escobar tinha muuuuuito dinheiro, é isso deu a ele o poder suficiente para comprar a verdade sobre sua própria história. Era (e ainda é) um herói para seu povo mesmo sendo um criminoso confesso e convicto. Mas o pó ninguém vê, ninguém se lembra, as pessoas compram a fantasia que ele traz. E assim era com Escobar também. A série foca no homem de negócios, um comerciante não muito diferente de tantos outros de capa de revista quinzenal, um predador nato, mostrando seu lado inerentemente cativante. Wagner Moura nos traz uma encenação digna de se aplaudir de pé, não se intimidando com o idioma tampouco com a dificuldade de encarnar uma pessoa real (e ao mesmo surreal, mitológica) tão polêmica. Os cenários, os diálogos, o humor e a precisão histórica-política trazidas na tela juntas compõe uma experiência imersiva numa série que, com o perdão da piada, é viciante. Algumas escolhas narrativas são infelizes e parecem bem gratuitas, dispensáveis, mas não pode se exigir muito de uma série americana sobre o estilo de vida Latino-americano.
Muito boa! Com Wagner Moura era ótima e querendo ou não ficou uma incógnita sobre essa 3° Temporada, mas surpreendeu a todos e positivamente falando. O Cartel de Cali transmitida através dessa continuação é bem explorada, acesso a dados impostantes foram transmitidas com muita qualidade, cenas de ação de primeiríssima, apesar de alguns personagens não ter o mesmo carisma de Moura, mas funcionam bem em seus diálogos. Roteiro é fascinante e seu desenvolvimento também, nessa Temporada o diretor consegue manter a pegada das anteriores com certa qualidade, na minha opinião não consegue ser melhor que as anteriores, mas é muito boa de assistir e já na espera pela 4° Temporada.
Melhorou muito com relação a primeira temporada, muito mais ação e envolvente. Por mais que você saiba como irá terminar o destino de alguns personagens, nunca cai no óbvio e envolve muito, isso devido a boa direção, e interpretações dos atores.
Considero a melhor temporada. Muita ação, cenas bem dirigidas, roteiro bem escrito, existe alguns furos ali e acolá, mas nada gritante. Gostei do foco que deram nos episódios finais para Jorge Salcedo, entregando cenas de muita tensão. Excelente!
Após a ação que culminou com a morte do brutal Pablo Escobar, a série da Netflix parecia chegar a sua conclusão, no entanto, assim como seus produtores disseram, NARCOS é um série sobre narcotráfico, almejando deixar margem para estender a proposta da franquia a outra instância. A terceira temporada mudou o foco de Medellin para Cali, uma vez que o discreto mas não menos perigoso cartel local ganhou espaço para o tráfico de cocaína e recebeu atenção direcionada do órgão americano DEA. O grupo formado pelos traficantes Gilberto Rodríguez Orejuela (Damián Alcázar), Miguel Rodríguez Orejuela (Francisco Denis), Pacho Herrera (Alberto Ammann) e José "Chepe" Santacruz-Londoño são os alvos principais do agente Javier Peña (Pedro Pascal), que aqui assume o protagonismo dessa série que tem muito a oferecer.
Apesar de não ter um único antagonista como as temporadas anteriores, NARCOS mantém uma qualidade notável do ponto de vista da execução. Os personagens são retratados com a devida verossimilhança, não só de visual mas também de conduta, levando o expectador a conferir como a realidade se misturou a ficção com devidas observações para não atrapalhar no contexto narrativo. Ao longo de dez episódios acompanhamos como o cartel de Cali era minunciosamente mais estratégico do que o comandado por Pablo Escobar, mas também suscetível a falhas que podem ser cruciais para o passo seguinte de ambos os lados envolvidos. A condução visual que mistura imagens da época com as filmagens recentes garante mais força às informações ali retratadas, muitas vezes criando ainda mais espanto devido à crueldade dos atos dos cartéis que não veem limites em suas ações.
O elenco, mesmo com o fantástico Wagner Moura de fora, tem mérito de sobra, com destaque evidente para Pedro Pascal, que consegue conduzir o protagonismo sem qualquer dificuldade, moldando um personagem repleto de vontade para dar fim ao tráfico de drogas e como as consequências disso podem ser complicadas do ponto de vista político. O grupo de Cali também se destaca, Damián Alcázar é o mais notável deles, graças ao seu espírito articulador para liderar uma família cheia de ódio quando se fala em calmaria; outro que chamou muita atenção foi Matias Varela, cujo personagem Jorge Salcedo é vital para todos os lados da história, tornando-se uma engrenagem capaz de parar o lado contrário às suas aspirações.
NARCOS mostra grande força com sua proposta de ser uma série sobre o narcotráfico, deixando para traz aquele que foi alvo de suas investidas ao longo de duas temporadas para se concentrar em algo maior e que visa expandir o entretenimento em outro nível. Para quem acompanhou as temporadas anteriores, essa começará mais lenta até ganhar o volume de tensão capaz de arrancar palpitações aceleradas, garantindo assim, o devido mérito ofertado por mais um conteúdo original da Netflix.
O que é bom em Narcos é que se mostra os dois lados da história, se fosse apenas da perspectiva do Pablo, não seria tão interessante. É uma produção muito bem feita, tudo, desde o detetive da DEA, que é a voz narrativa até a qualidade do trabalho da câmera, os atores, as cenas são incríveis.
Agora que Pablo Escobar está morto o DEA precisa combater outro cartel, o de Cali. Um grupo de traficantes muito mais político e bem mais estratégico, e é este tom mais presente que temos na terceira temporada de Narcos.
Agora o Agente Peña é muito mais visado e sua responsabilidade aumento bastante, ao mesmo tempo em que ele descobre que pode até ser simples prender traficantes, o problema está no sistema corrupto da Colômbia e dos Estados Unidos, e mais difícil ainda é mantê-los na cadeia.
Peña vai contar com a ajuda de Jorge Salcedo, que será uma espécie de delator, e da dupla de policiais que se oferece para ir até a Colômbia e auxiliar na operação, Chris Feistl e Daniel Van Ness, que apesar de parecerem inexperientes, se saem muito bem ao longo da temporada.
No Cartel de Cali, temos o líder Gilberto Rodríguez, seu irmão Miguel Rodríguez, Pacho Herrera (um dos melhores personagens da temporada) e Chepe Santacruz, o mais inconsequente do grupo. Como foi dito antes, o grupo é bem mais político e sério, o sucesso deles é devido a vários subornos oferecidos a autoridades e eles preferem sempre se manterem discretos, longe dos holofotes.
Os destaques da temporada foram sem dúvidas o Agente Peña e Jorge Salcedo. Sem a força de vontade dos dois, junto com a colaboração de Feistl e Van Ness, o Cartel de Cali jamais seria capturado.
O diferencial desta temporada foi realmente o foco político da trama, foi mostrado um lado pouco explorado nas duas temporadas anteriores, e podemos entender que não é simplesmente ir lá e prender o criminoso, tem muita coisa por trás disso.
A próxima temporada já foi anunciada, o cenário agora é no México e conta com novos protagonistas: Michael Peña e Diego Luna. A data de estreia ainda não foi divulgada.
Narcos não só consegue manter a qualidade da temporada anterior como introduz novas camadas à narrativa. Se antes tínhamos uma excessiva concentração em Escobar agora vemos histórias paralelas, como a de Limon, e a resolução de pontas soltas do ano passado. Porém, é a linearidade que incomoda: No desfechos da fuga de Escobar de La Catedral vimos os agentes do DEA brigando entre si, mas esta temporada começa com os dois em amizade novamente sem nenhuma explicação. Escobar também parece mais um tolo por não conseguir deter Judy, uma traficante quase amadora, em certos momentos. Aliás, a de se falar que retratar a única mulher traficante presente na trama como uma burra fútil foi uma escolha muito infeliz. Por fim, o derradeiro ato final da história de Escobar deixa bastante a desejar. Não é como se ele tivesse tido aquilo que merece, tampouco se arrepende dos seus atos. Ele apenas morre. Não há a devida carga dramática que o assassinato do maior personagem da série merecia. Porém, mesmo com esses erros a segunda temporada de Narcos emociona, surpreende e nos assusta com tamanha qualidade das cenas.
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