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SweetIISkull
9 críticas
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Crítica da 6 temporada
2,5
Enviada em 9 de julho de 2026
A essa altura, acho que os fãs já largaram de mão. Não existe mais expectativa; é só assistir e aceitar. Aceitar que, às vezes, nem parece que os roteiristas lembram que estão escrevendo Black Mirror. Beyond the Sea é a única grande lembrança do que a série já foi. É o episódio que mais resgata a essência de *Black Mirror: uma boa ideia, tecnologia, desconforto e um final que fica martelando na cabeça. Também gostei bastante de Loch Henry, mas, sinceramente, ele parece um ótimo episódio... de outra série. Funciona muito bem como suspense, porém quase não carrega a identidade de Black Mirror. Se tirassem o nome da série da abertura, eu provavelmente nem associaria um ao outro. Já Demon 79 eu só consigo assistir dando risada da situação. É divertido, mas novamente passa longe da proposta que fez a série ficar tão conhecida. O restante da temporada simplesmente passa. Não há episódios que eu faça questão de indicar para alguém, muito menos de reassistir. Falta impacto, falta crítica e falta aquele desconforto tecnológico que sempre definiu Black Mirror. No fim, sobra apenas a sensação de que a série perdeu sua própria identidade. E isso, para mim, é mais decepcionante do que qualquer episódio ruim.
A quarta temporada talvez seja a mais polêmica de Black Mirror justamente pela elasticidade da sua qualidade. Ela vai de episódios que considero verdadeiras obras-primas a outros que mal parecem pertencer à série. USS Callister é simplesmente espetacular. Um dos melhores episódios de Black Mirror, reunindo tudo o que a série faz de melhor: crítica social, tecnologia e uma história extremamente envolvente. Na outra ponta está Metalhead. É um episódio que sempre me faz questionar se ainda estou assistindo Black Mirror. Sinto falta de muita coisa ali: da crítica mais elaborada, do impacto emocional e daquele desconforto característico da série. Nunca consegui me conectar com ele. Felizmente, essa irregularidade não apaga os excelentes Arkangel e Black Museum. Ambos conseguem recuperar a essência da série, entregando histórias inteligentes, perturbadoras e com aquele gosto amargo que Black Mirror sabe deixar tão bem. No fim, é uma temporada bastante inconsistente, mas que ainda reúne alguns dos episódios mais memoráveis da série.
Na segunda temporada, Black Mirror consolida de vez sua identidade. Aqui já fica claro o padrão da série: pegar uma ideia tecnológica aparentemente interessante e mostrar até onde ela pode levar quando colocada nas mãos das pessoas. Meus grandes destaques vão para Volto Já e Natal, dois dos meus episódios favoritos da série inteira. São histórias que conseguem misturar tecnologia, emoção e desconforto de um jeito que só Black Mirror sabe fazer, deixando aquele vazio quando os créditos sobem. O único episódio que nunca me marcou foi Momento Waldo. Não acho ruim, mas, comparado aos outros, acaba sendo o mais fraco da temporada e, sinceramente, muitas vezes até esqueço que ele existe. No geral, essa é uma temporada extremamente consistente. Ela mostra que o impacto de Black Mirror não depende apenas do choque, mas da forma como cada episódio faz você pensar sobre o mundo e o rumo da tecnologia muito depois de terminar.
Cadê Black Mirror? Cadê a genialidade, as críticas afiadas e aquele desconforto que sempre fizeram a série ser tão especial? A quinta temporada foi, para mim, uma grande decepção. Parece que a essência da série ficou pelo caminho. As ideias continuam interessantes, mas a execução nunca chega perto do nível das temporadas anteriores. O único episódio que realmente me agradou foi Striking Vipers. Não acho uma obra-prima, mas é uma boa história e foi o único momento em que senti um pouco da identidade de Black Mirror. Ainda assim, ele não consegue carregar sozinho um terço da temporada. Já os outros dois episódios são tão esquecíveis que, sinceramente, às vezes esqueço até seus títulos. Nunca tive vontade de revisitá-los, enquanto Striking Vipers pelo menos ganhou uma segunda chance da minha parte. No fim, a sensação é de tristeza. Depois de temporadas tão marcantes, essa parece uma versão muito mais fraca e sem personalidade de Black Mirror. É, de longe, a fase mais decadente da série.
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