família, mas não entende amor da mesma forma. Para ele, aquilo é quase uma construção estética. Uma possibilidade interessante.
Então ele começa a adoecer Will propositalmente. Manipula sua mente. O faz duvidar de si mesmo. Quer que ele aceite sua própria insanidade. Quer que ele se veja como realmente é.
Quando Will descobre a verdade, Hannibal o incrimina como o Imitador. Finge matar Abigail. Afasta Will porque já sente algo por ele — e esse sentimento o torna vulnerável.
Então chegamos ao último episódio da segunda temporada. Na minha visão, o melhor da série.
Will começa a fingir que está se entregando à própria escuridão. Ele quer conquistar a confiança de Hannibal para traí-lo. Quer fazê-lo se entregar à polícia. Mas, ao mesmo tempo, é Will quem liga para Hannibal avisando que Jack está indo até ele. Ele entrega… mas protege. Ele trai… mas avisa.
Esse conflito é o que torna tudo tão profundo.
Hannibal tenta matar Jack, que ele considerava amigo. Fere Alana, com quem tinha um relacionamento. Ele machuca todos sem piedade.
Mas quando esfaqueia Will na frente de Abigail — que estava viva o tempo todo — a cena muda completamente.
Ele o abraça. Ele demonstra arrependimento. Ele pergunta se Will o perdoaria. E Will diz não.
Aquilo muda tudo.
Hannibal queria que Will fugisse com ele. Que Abigail fosse a família que Will sempre desejou. Mas se Will não o perdoaria… se não iria com ele… então Abigail deixa de ter significado. E ele a mata diante de Will.
É cruel. É devastador. É amor distorcido.
Na terceira temporada, Hannibal tenta seguir em frente na Europa. Mas ele não consegue. Tudo volta para Will. Quando descobre que ele está na mesma cidade, volta a matar — e aqueles assassinatos parecem cartas de amor. São convites. São chamados.
O reencontro dos dois é simbólico, grandioso. Eles se olham como se nada tivesse acabado. Como se tudo ainda estivesse ali.
Mesmo quando Will tenta matá-lo, mesmo quando há bala, sangue e traição, Hannibal ainda o salva. Ainda o leva para casa. Ainda o abraça.
Os dois se amam. E querem se matar.
Quando Mason captura Will, Hannibal mata todos para salvá-lo. Carrega seu corpo. Protege-o. Mostra quem domina — e quem se rende.
Depois, Hannibal se entrega. Não porque perdeu. Mas porque, sem Will para persegui-lo, nada faz sentido.
Três anos se passam. Will tenta ter uma família. Tenta ser normal. Mas ele sente falta da intensidade. Sente falta de Hannibal. Ele já se reconhece como insano porque sente essa ausência.
Quando surge o caso do Dragão Vermelho, ele diz que não vê nada. Mas vê. Sempre viu. Ele pede para ver Hannibal. Pela sensação. Pela conexão.
No final, quando matam juntos o Dragão Vermelho, Will o abraça e diz que aquilo é belo. E é ali que tudo fica claro.
O salto do penhasco pode ser morte. Mas, para mim, é renascimento. Eles não morrem. Eles ressurgem. Como um só. Como aquilo que sempre foram.
E a cena final com Bedelia… duas cadeiras vazias. Um jantar preparado. Um futuro sugerido.
Minha única crítica é o pouco desenvolvimento de Miriam e Chiyoh, e o fato de o último episódio concentrar muitos acontecimentos.
Mas, tirando isso, a série é perfeita para mim. Intensa. Complexa. Corajosa.
Não é apenas sobre assassinatos. É sobre amor, obsessão, identidade e escolha.
E eu amo cada segundo dessa intensidade.