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    5 finais de séries que amamos
    Por Laysa Zanetti — 19 de mai. de 2019 às 09:00

    Complicadas e perfeitinhas.

    Não há final de série bom o suficiente que vá agradar a todos, mas existem aqueles que chegam perto. Analisando alguns dos mais memoráveis ou unânimes da história recente da TV, constatamos o que deveria ser o óbvio: um final bom não é necessariamente um final do qual todos saiam felizes, mas sim aquele que é condizente com a jornada dos personagens e que fundamentalmente faz com que eles cheguem a um lugar que, em retrospecto, seja evidente e inesperado, impactante e justo com o espectador. Parece desafiador, não é? Mas é porque é mesmo.

    Pensando nisso — e no iminente fim de Game of Thrones, que segundo a expectativa do público deve passar longe de ser um destes praticamente irretocáveis —, o AdoroCinema resolveu listar 5 séries que deram um bom exemplo do início ao fim. Será que as ‘series finale’ das produções listas abaixo podem ser consideradas próximas à perfeição?

    É importante destacar que, para esta lista, foram deixados de lado finais que consideramos ótimos, mas que são polêmicos e dividem opiniões (sim, esta observação é sobre o final de Lost), porque o objetivo é apresentar  aqueles que mais dialogam com a unanimidade positiva se esperava para a última temporada da série mais popular da televisão — exatamente o contrário do que estamos vendo.

    Confira a lista, abaixo. Os textos evitam dar spoilers, mas ainda assim dão alguns indícios do que acontece nos episódios finais das séries mencionadas. Por isso, fique atento.

    Breaking Bad (2008-2013)

    A história da jornada de Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul) é uma de construção de tensão do início ao fim, da montagem lenta de um quebra-cabeças que foi, ao longo do tempo, apontando para um desfecho inevitável. Mas, mesmo que o capítulo final deste drama tenha um desfecho do qual era impossível fugir, o caminho traçado para chegar até ele na quinta temporada da série de Vince Gilligan é um dos mais brilhantes já vistos nas telinhas, sobretudo quando discutimos os três episódios anteriores ao final.

    Durante cinco temporadas, Breaking Bad obrigou o público a questionar a forma como olha para os protagonistas, encarando de frente um desenvolvimento brutal, dúbio e desesperador de personalidade. Por isso, o desfecho de Walt e Jesse tem um desafio redobrado: o rompimento de expectativas em relação ao protagonista-vilão de uma história sem “bons-mocismos” requer um desfecho definitivo e que honre os dois lados dos personagens. E isso a série faz muito bem.

    “Eu entendo o impulso de Gilligan para terminar desta forma, e também entendo por que tantos de vocês acharam ‘Felina’ tão satisfatório,” escreveu o crítico Alan Sepinwall. “Você passa muito tempo escrevendo, ou assistindo a um personagem, e um laço emocional se desenvolve, não importa o quão horrível [o personagem] seja. Apesar de tudo o que Gilligan fez Walter White fazer ao longo dos anos, ele ainda queria que Walter pelo menos tentasse se redimir antes do fim. Apesar do quão horrorizados nós ficamos com as várias coisas que Walt disse ou fez, uma série que termina com a cena final de ‘Ozymandias’, ou com Walt ainda esperando pelos policiais no final de ‘Granite State’ deixa o espectador se sentindo pior e mais vazio do que ver Walter [fazendo o que ele faz no episódio final]. Catarse é algo valioso, mesmo que você tenha problemas com a forma como se chega a este momento catártico.”

    Mad Men (2007-2015)

    Don Draper (Jon Hamm) é uma das melhores sínteses dos “homens difíceis” da terceira era de ouro da televisão, e o encerramento de sua jornada o coloca em um lugar difícil de se prever, mas que funciona paralelamente em dois sentidos: é inegavelmente surpreendente tendo em vista a jornada do personagem e seu histórico — por isso, uma agradável surpresa;  sob uma ótica mais ampla, estabelece um diálogo direto tanto com as questões existencialistas da série quanto com a época em que se insere.

    Acima de qualquer outra coisa, o episódio final de Mad Men deixa claro que os mocinhos ganharam, mas os vilões também, exatamente porque os conceitos se misturam o tempo todo. Existe uma irônica sensação de paz, que faz deste encerramento algo bonito, feliz e ao mesmo tempo cínico — em virtude de todas as referências a anúncios e a sugestão de que toda aquela paz tão almejada por Don, no fim das contas, também vira produto para ser exposto e vendido.

    “O que ‘Person to Person’ realmente quer fazer está bem ali no título. A dissolução que dominou a primeira parte [da 7ª temporada] deu lugar a uma tentadora reconstrução de pontes entre os personagens. Nem todo mundo nessa série teve algum nível dramático de crescimento, mas todo mundo teve algum tipo de crescimento, e este episódio quer destacar exatamente isso,” escreve o crítico Todd VanDerVerff.

    Buffy the Vampire Slayer (1997-2003)

    O fim de Buffy the Vampire Slayer curiosamente é um que deixa o caminho livre para que a história continue por anos a fio — como continuou, em formato de quadrinhos —, mas não é por isso que parece um final incompleto. É justamente o contrário: é o encerramento trágico de uma jornada inventiva e muito mais ambiciosa do que possa parecer à primeira vista, que não poupa o público de sacrifícios e das reais consequências de decisões que voltam para assombrar os protagonistas em suas horas finais.

    Sem meias palavras: o final de Buffy é doloroso, mas também é um dos mais satisfatórios que existem. Desta forma, ele aponta para os melhores elementos da série, para o empoderamento feminino, a inteligência e o humor rápidos que fizeram a produção romper barreiras e se tornar um improvável marco da televisão, à frente de seu tempo e uma prova de que existe carga dramática e aprofundamento de sobra em séries de temática adolescente.

    Six Feet Under (2001-2005)

    Como encerrar uma série cuja premissa gira em torno de uma casa funerária? Six Feet Under nunca teve muitas opções para inovar ou ser subversiva em seu episódio final, mas ainda assim, consegue ser ousada e emocionante. Alan Ball brinca com o fantástico e sua queda pelo hipersensorial para encerrar os arcos de cada um de seus protagonistas da melhor forma possível — com um pouco de exagero, alguns toques de pieguices e no clima de que tudo é finito, o que ele mesmo já havia sido determinado desde a primeira cena do primeiro episódio da primeira temporada. É o felizes para sempre mais cruel de todos os tempos, e por isso mesmo um episódio que jamais será esquecido.

    The Sopranos (1999-2007)

    O final de Tony Soprano (James Gandolfini) pode até levantar algumas polêmicas, mas é uma verdadeira obra de arte, e uma que faz o público se perguntar o que aconteceu depois que a tela escureceu mesmo mais de 10 anos após a exibição do episódio final. Mas esta é uma pergunta que foi feita para ficar sem resposta, e este era o espírito desde o início.

    Assim como os melhores episódios finais — e aqueles elencados aqui nesta lista, o de Família Soprano não pega o público pela mão ou apresenta a ele o encantador caminho de tijolos amarelos do final feliz e da história conclusiva que jamais vai levantar perguntas ou gerar debates. E esta é a mágica: o mistério e a ambiguidade fazem parte do teatro, parte do espetáculo. Questionar o que aconteceu depois, o significado de determinados diálogos, de um sorriso ou de um olhar é a graça da história. Não entender absolutamente tudo faz tão parte do processo quanto se debruçar por horas estudando cada minuto de ação. E, no fim das contas, o que separa uma series finale inesquecível de uma tragédia não-anunciada como o infame fim de Dexter.

     

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