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    Amizade Dolorida: Comunidade de Dominatrix critica nova série da Netflix
    Por Vitória Pratini — 26 de abr. de 2019 às 13:05

    Comunidade BDSM revela imprecisão na maneira como a profissão está sendo retratada.

    Após o sucesso de Sex Education, a Netflix lançou outra série de cunho sexual: Amizade Dolorida, uma produção que segue um comediante homossexual que entra em contato com sua sexualidade quando consegue um trabalho como assistente de uma dominatrix. Entretanto, a série está recebendo críticas da comunidade BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) por imprecisão nas informações.

    Em uma declaração postada no Instagram, o criador da série Richard Doyle explicou que a produção é baseada em sua experiência pessoal como um comediante em Nova York. "Como um jovem gay ainda lutando com minha própria sexualidade, vigiar a porta enquanto uma das minhas melhores amigas amarrava um homem nu em uma cama de dossel e o chicoteava era no mínimo desagradável", escreveu Doyle, ao mesmo tempo em que explicava suas influências: "de Pedro Almodóvar a Terry Zwigoff".

    Embora muitos fãs tenham enviado mensagens de apoio, nem todos estão convencidos de que a experiência de Doyle lhe dá o direito de contar essa história em particular.

    "Eu entendo como está série é vagamente baseada em uma experiência pessoal, mas ele lança uma sombra ruim e um estigma sobre a dominação profissional", criticou a dominatrix Mistress Synful Pleasure na rede social. "As imprecisões alimentam o estigma do BDSM e ele não mostra como é a vida de uma dominatrix. Por que ela é má 24 horas por dia? Por que ela está usando uma coleira com um anel em O? Por que o espartilho dela não cabe direito nela? Ela não filma seus clientes? [...] A falta de negociação e consentimento? Vamos lá, mesmo inspirado vagamente deveria haver uma melhor representação do BDSM aqui."

    Jessica Nicole Smith, uma dominatrix que trabalha em Montreal, assistiu aos três primeiros episódios antes que uma história sobre agressão sexual se tornasse demais. "Tem essa frase horrível - 'Eu sou assim porque fui agredida' Que coisa ruim para dizer, porque muitas vezes é como eu me sinto como uma prostituta que foi agredida, e as pessoas vão pensar que eu faço isso porque eu fui agredida? Eu não gostei do enredo em torno desse 'trocadilho'. Sim, vamos falar sobre trauma... mas não é como se ela estivesse lidando com o trauma dela, ela está projetando isso para todos os outros", disse ela (via IndieWire).

    Smith ainda afirmou que o roteiro não fazia justiça ao personagem das profissionais do sexo, fazendo com que o assunto parecesse ainda mais explorador. "Nada disso parecia real para mim. Não foi uma história real de uma trabalhadora de sexo complexa e bonita que tem uma história real de abuso no trabalho. Isso simplesmente não parecia certo para mim, já que eu já estive nessa situação", disse ela.

    "Não escreva uma comédia na qual você claramente não tenha consultado profissionais do sexo sobre o roteiro. Nenhum profissional do sexo escreveria comédia assim. Você quer uma comédia engraçada? Peça a um grupo de profissionais do sexo para escrever sobre as coisas de que falam em clubes de striptease. Trabalhadores do sexo são engraçados, você não precisa incluí-los para fazer comédia", completou Smith.

    Em um formato que se tornou padrão para a Netflix, a conta no Twitter da série é escrita a partir da perspectiva da fictícia Mistress May, a principal personagem dominadora interpretada por Zoe Levin. Para muitas trabalhadoras do sexo que foram banidas do Twitter e tiveram seus perfis escondidos das buscas, por considerarem que seu conteúdo é restrito, o marketing da Netflix também foi motivo de críticas.

    Amizade Dolorida está disponível na Netflix.

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