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    Big Mouth segue divertida, constrangedora e importante (Crítica da 2ª temporada)
    Por Laysa Zanetti — 20 de out. de 2018 às 09:01

    Segunda temporada da comédia animada da Netflix já está disponível.

    Nota: 3,5 / 5,0

    Entre muitas piadas sujas e constrangedoras, a primeira temporada de Big Mouth surpreende justamente pela honestidade crua e tão verdadeira ao se tratar da traumatizante época da pré-adolescência. Seguindo na trilha do mesmo caminho de sucesso, a segunda temporada continua reunindo com primor dois elementos fascinantes: o humor e a vergonha.

    Neste ano, a comédia criada e produzida por Nick Kroll e Andrew Goldberg, no entanto, vai mais fundo em temas mais sensíveis. Sem perder a graça, a temporada consegue tratar não apenas da puberdade e do despertar sexual, mas também toca em temas como experimentação, remorsos, slutshamming, depressão, aceitação do corpo e até mesmo aborto.

    Um dos maiores trunfos de Big Mouth é o fato de ela conseguir efetivamente fazer com estes personagens animados algo que é raro, pois dá a eles a chance de se desenvolverem e evoluírem. Este detalhe na verdade é essencial para que a série funcione, já que se baseia no fato de estarem passando por mudanças físicas e psicológicas. Mais do que isso, no entanto, a comédia é provocativa em pequenos rompimentos com estereótipos, ao permitir que os protagonistas demonstrem sentimentos contraditórios e que tentem lidar com isso através do diálogo.

    Netflix

    Um dos arcos narrativos mais interessantes e genuinamente cômicos da temporada é o de Nick (Nick Kroll), que ressente a puberdade tardia e passa toda a temporada lidando com Monstros do Hormônio disfuncionais — ora um muito velho, ora outro extremamente jovem. Ligado a isso está o seu primeiro relacionamento, que transborda a esperada imaturidade por todos os poros. Ainda assim, detalhes como o momento em que se estabelece que a infame “friendzone” não existe — ou quando os episódios tiram sarro deste lugar-comum — saltam aos olhos e mostram que além de apenas fazer comédia, Kroll e Goldberg querem aqui tecer ácidos comentários a respeito de como enxergamos relacionamentos e a dependência deles.

    Por outro lado, Jessi (Jessi Klein) e Missy (Jenny Slate) continuam ganhando cada vez mais destaque. Se a primeira temporada foi mais focada em Missy, a segunda dedica boa parte de seu tempo aos conflitos de Jessi, e esta abordagem funciona quase como que em uma espécie de complementação. Jessi é uma representação bastante honesta no que diz respeito a como a personagem lida com a separação dos pais, o novo relacionamento da mãe e a relação com o corpo e as colegas frente às próprias guinadas feministas.

    No fim, a segunda temporada de Big Mouth sendo mais inteligente do que deveria ser. Faz comédia com tabus sem ser baixa, cutuca temas sensíveis sem medo — o que chega ao ápice no excelente episódio sobre o Planned Parenthood, é ao mesmo tempo delicada e abertamente bem humorada. Em tempos sombrios, Big Mouth é, acima de tudo isso, uma série essencial para tratar de sexualidade como ela deve ser.

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    Comentários
    • JOTAT10
      Não faz parte da minha agenda esse genero desenho animado, eu sou da turma da Disney, as vezes alguns da Marvel me convece, mas prefiro os gibis deles. Agora essa produção desse desenho é mais pra perfíl de pessoas como o Alexandre Frota, Fábio Melo, Caio Castro, Dado Falabella e outros por aí.
    • Diário Gay do Diego
      Achei a segunda temporada ainda melhor e mais engraçada, trazendo muitas discussões importantes 😂😂
    • Vidamell Vida R.
      bem zueira essa série.
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