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    Dia Um: Pessoas comuns lidam com mudanças inesperadas em suas vidas em nova série (Primeiras impressões)
    Por Bruno Carmelo — 30 de set. de 2018 às 09:40

    Da ansiedade da adoção à insegurança de começar seu próprio negócio.

    A nova produção original da HBO parte de histórias que poderiam acontecer a qualquer pessoa. Dia Um investiga o momento de alguma transformação intensa: o primeiro dia no trabalho, a chegada de um bebê, a descoberta de uma doença, a mudança para uma nova cidade, a entrada de um atleta no circuito profissional.

    A identificação com estes personagens é fácil, até porque nenhum deles é idealizado pelos diretores Renato Amoroso e Dainara Toffoli. No primeiro episódio, exibido à imprensa, duas histórias de maternidade surpreendem o espectador: de um lado, um casal que planejava ter um segundo filho recebe a notícia da gravidez de trigêmeos; do outro, um casal que enfrenta problemas de infertilidade consegue a aprovação para adotar dois meninos pequenos.

    A série propõe um olhar carinhoso, capaz de combinar a atenção à vida daquelas pessoas com o respeito pela privacidade. Os diretores adentram dois lares de classe média, em apartamentos pequenos, onde a câmera se ajusta como pode aos espaços e à rotina. Mais do que se focar na parte prática - a compra dos berços, das roupas, os trâmites da adoção - o roteiro se concentra nos aspectos psicológicos dos pais. Quais são as alegrias, tristezas e angústias relacionadas ao processo da maternidade?

    Dia Um desmistifica a ideia da maternidade como um bálsamo ao qual toda mulher está destinada. Apesar da alegria de ambas as personagens, existem inseguranças muito bem retratadas pelo projeto. Felizmente, o "dia um" de cada núcleo começa meses antes, de modo que os diretores conseguem registrar bons momentos de interação entre cada casal.

    Talvez a série seja prejudicada por escolhas pouco inspiradas de imagem, como as cenas de passagem genéricas, mostrando cartões postais da cidade, a trilha sonora insistente e impessoal e a fotografia superexposta quando a câmera se aventura por espaços abertos. Não existe grande ambição estética aqui: os criadores estão mais preocupados com o aspecto humano.

    A simplificação das cenas pode conferir ao resultado uma aparência próxima à de uma reportagem. No entanto, Dia Um traz um olhar muito mais atento do que qualquer projeto televisivo, além de propor um discurso progressista, acompanhando os personagens sem julgá-los. Os próximos episódios, com conflitos diferentes, prometem formar um conjunto interessante de reações a pontos de ruptura em nossas vidas.

    Assim, a premissa do projeto soa ao mesmo tempo simples e ambiciosa, fácil e complexa. Isso sem falar no teor comovente do primeiro episódio, que pode levar o espectador às lágrimas sem explorar o sentimentalismo da situação. Como panorama da sociedade brasileira, promete fornecer um olhar afetuoso e otimista.

    Dia Um estreia na segunda-feira, 1 de outubro, às 21h no canal Cinemax.

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