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    Arrested Development: Genialidade da série está desaparecida na primeira metade da 5ª temporada (Crítica)

    Série sobre a família Bluth retornou na Netflix.

    NOTA: 2,5/5,0

    Lançada originalmente pela FOX em 2003, Arrested Development estreou numa época em que o mundo das sitcoms já se preparava para se despedir do maior sucesso do período (Friends) e antes de produções consagradas como 30 Rock e The Office. Sem deixar muito a desejar para nenhum destes clássicos da comédia televisiva, Arrested conquistou uma legião de fãs e se tornou cultuada, mesmo não obtendo grandes números de audiência. Por causa disso, foi cancelada pela emissora ainda na metade de sua terceira temporada.

    Ao longo dos anos, muitos pediram para a série voltar, inclusive boa parte do elenco e da equipe, que sempre tratava do assunto em entrevistas e aparições públicas. E foram sete anos entre o brusco final da terceira temporada até o lançamento da quarta, no primeiro grande caso de produção resgatada pela Netflix.

    O quarto ano veio para matar as saudades dos fãs, mas num formato diferente, com uma linha narrativa inusitada em que todos os episódios contavam a mesma história a partir de pontos de vistas variados. Foi bom para reencontrar aquela família enlouquecida, mas deixou o gosto de "quero mais". Os fãs precisavam de uma história mais desenvolvida e complexa.

    Pois bem, a Netflix renovou a série para uma quinta temporada, para a felicidade dos fãs. Acontece... Que nem sempre aquilo que você quer é aquilo que você precisa. A série retornou absolutamente burocrática, algo que nunca havia acontecido nos anos anteriores. Piadas desinteressantes e, pior, um desenvolvimento pobre dos personagens.

    Arrested Development já retorna em meio a polêmicas. Primeiro, pelas acusações de assédio que causaram a demissão de Jeffrey Tambor de Transparent. Segundo, pela trágica entrevista do elenco ao New York Times, em que Jessica Walter chorou ao relembrar um caso de agressão verbal de Tambor, que acabou defendido pelo restante do elenco masculino. A repercussão negativa foi tanta que a Netflix cancelou outras aparições da equipe. É claro que casos como estes não entram na análise da série como um todo. A não ser... Que a produção cometa o erro de tentar brincar com isso. E foi justamente o que aconteceu aqui. Logo em seu primeiro episódio, Arrested trata de reduzir a uma piada a saída de Tambor de Transparent. É claro que a produção tem todo o direito de apontar que sua experiência com o astro não tem nada haver com o que causou sua demissão pela Amazon, mas fazer piada com isso nos dias atuais é algo pra lá de infeliz.

    Apesar da situação envolvendo Walter, sempre foi possível notar que o elenco era apaixonado pela série. Não por acaso, Portia de Rossi aceitou retornar mesmo tendo decidido se aposentar da atuação. Inclusive, fica claro que a atriz participou o mínimo possível da nova temporada, tendo a presença mais reduzida do elenco principal. Tal fato prejudica o desenvolvimento da história, uma vez que a saga política de Lindsay era uma das com mais potencial.

    Com relação à trama, Arrested Development toma a decisão de partir do mesmo ponto em que a temporada anterior acabou. Faz sentido, mas também é algo que poderia ter sido feito de forma mais harmoniosa. Os dois primeiros episódios da temporada parecem quase seguir o formato da anterior, avançando em quase nada na história. Servem praticamente como um "anteriormente em".

    O triângulo formado por Michael (Jason Bateman), George Michael (Michael Cera) e Rebel Alley (Isla Fisher), mas oferecendo pouquíssimo desenvolvimento. Só vale por inserir mais uma vez o personagem de Ron Howard em cena, desta vez acompanhado por toda sua família. Howard é produtor e narrador da série e embora seja um cineasta consagrado, está longe de ser um sujeito com fãs apaixonados. Por isso, é estranha a opção da série em investir em inúmeras piadas envolvendo o produtor. Sua presença em cena é ótima, mas aumentar isso para referências à produtora Imagine fica parecendo apenas uma grande piada interna.

    Um dos personagens mais divertidos da produção, Buster (Tony Hale) é deixado um pouco de lado aqui, o que é uma pena. Por outro lado, Gob (Will Arnett) está ótimo como um sujeito em dúvida sobre sua sexualidade após um breve encontro amoroso com um outro homem (Ben Stiller). Arnett entrega alguns dos melhores momentos da temporada.

    No final das contas, Arrested entregou uma primeira metade de temporada que é apenas ok. E isso é inaceitável para uma produção com pontos altos como ela.

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