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    Emmy Awards 2017: Como a vitória de The Handmaid's Tale muda o jogo para os canais de streaming
    Por Laysa Zanetti — 18 de set. de 2017 às 13:20

    A primeira grande conquista do Hulu.

    Alberto E. Rodriguez/Getty Images

    Desde que entrou no jogo de produção de séries originais, a Netflix vem acumulando cada vez mais indicações ao Emmy Awards, geralmente ficando apenas atrás da HBO em número total. Em 2017, não foi diferente. A HBO teve 111 e a Netflix ficou em segundo, com 91.

    Mas quem chegou quase imperceptível e realmente mudou o jogo para os canais de streaming foi o Hulu.

    A vitória esmagadora de The Handmaid's Tale fez história porque trata-se da primeira vez que uma produção original de um serviço de streaming leva o prêmio máximo da Television Academy. Além de melhor drama, também levou as estatuetas de melhor atriz (Elisabeth Moss), melhor atriz convidada (Alexis Bledel), melhor atriz coadjuvante (Ann Dowd), melhor roteiro (Bruce Miller) e melhor direção (Reed Morano).

    Embora ainda não esteja atuando no Brasil, o sucesso de Handmaid's chega em um momento importante para o Hulu. O serviço foi lançado nos EUA em 2008, e nos últimos anos passou a investir silenciosamente em séries originais. Até agora, nenhuma havia feito tanto sucesso quanto as grandes da Netflix, entre elas House of Cards e Orange Is the New Black – embora, valha lembrar, antes delas vieram outras menores que não deram tão certo assim. Com um catálogo menor, as originais do Hulu incluem 11.22.63, minissérie protagonizada por James Franco exibida no Brasil pela AMC, e a recente Harlots – disponível no catálogo da Fox Play.

    Desde o seu lançamento, The Handmaid's Tale foi destacada pela imprensa norte-americana como o drama que poderia ser a grande chance para o Hulu, e de fato foi. "Toda semana, novas pessoas estão assinando e começando a série do episódio 1. Foi o lançamento mais assistido na nossa história", revelou o CEO Mike Hopkins (via Vulture).

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    Para além de números, o que tira The Handmaid's Tale do lugar comum é a relevância social tão intrínseca ao momento de extremismos políticos de 2017. A série se transformou rapidamente em um ponto extremamente sensível e importante para o debate de temas que envolvem homofobia, opressão e machismo. Nada foi exatamente planejado para ser tão atual – o livro foi publicado originalmente em 1985, e a produção da série começou muito antes da vitória de Donald Trump como presidente dos EUA –, mas acompanhar Offred/June (Elisabeth Moss) enfrentar a tirania de frente tornou-se algo quase catártico, principalmente (mas não apenas) para as mulheres.

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    Em um ano cujas maiores vencedoras foram Handmaid's e Big Little Lies, ambas protagonizadas por personagens femininas fortes e dedicadas à discussão de temas que colocam as mulheres no centro das atenções, como a denúncia do sexismo e violência doméstica, o Emmy Awards se presta a fazer um apelo pela diversidade. Vale destacar que a ausência de Game of Thrones, uma tradicional favorita, já ajuda bastante a concorrência, mas o forte tom politizado da noite (prejudicado apenas pela controversa aparição de Sean Spicer)  vira as costas para o patriarcado e convida as séries a investirem ainda mais em dramas e comédias que desafiam e questionam.

    É claro, ainda há um grande caminho a ser percorrido – estudos indicam que a média de mulheres e minorias étnicas produzindo e dirigindo séries ainda é baixa e pode melhorar. Mas um reconhecimento público da força deste tipo de produção, ainda mais feito pela Academia de Artes e Ciências Televisivas, normalmente bastante tradicional e até enfadonha, já é um impulso e tanto.

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