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    O quanto Ryan Murphy avançou em sua briga por dar mais espaço às mulheres na direção de séries?
    Por Laysa Zanetti — 11 de dez. de 2016 às 08:54
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    O The Hollywood Reporter contabilizou.

    Michael Buckner
    Para quem acompanha cinema e televisão, um assunto tomou conta de muitos debates em 2016: a busca por uma representatividade consciente das minorias em Hollywood. A discussão é antiga, mas as melhorias são recentes. Do #OscarsSoWhite ao último relatório da GLAAD, a questão avançou, mas um ponto pacífico entre os executivos de grandes produtoras é que todos reconhecem e afirmam que é preciso melhorar. No entanto, poucos são os que de fato fazem alguma coisa.

    Em fevereiro deste ano, Ryan Murphy anunciou que estava criando a fundação Half, com o objetivo de ter 50% dos cargos de direção de suas séries ocupados por mulheres. Dez meses depois, ele já superou esta marca.

    O The Hollywood Reporter divulgou os números: 60% dos cargos de direção das séries produzidas por Murphy (leia-se: American Crime Story, American Horror Story, Scream Queens e a ainda inédita Feud) já são ocupados por mulheres. O resultado se destaca em meio a um mar de baixa representatividade. Segundo relatório divulgado em setembro pelo Sindicato dos Diretores, apenas 17% de todos os episódios de séries produzidos na temporada 2015-16 foram dirigidos por mulheres (ou seja, 783 de um total de 4061).

    Ainda assim, nenhum dos episódios da primeira temporada de American Crime Story teve uma mulher na direção. Os números são melhores para American Horror Story: Roanoke, que teve seis dos seus dez episódios dirigidos por mãos femininas. Já Feud terá apenas mulheres na direção, repetindo o feito da primeira temporada de Queen Sugar, de Ava DuVernay, e da segunda temporada de Jessica Jones.
     
    "Quando você vê quem os homens escolhem para ensinar a profissão, a maior parte são pessoas como eles mesmos — mas 5 centímetros mais baixos e 20 anos mais novos", opinou Murphy, lembrando que ao produzir sua primeira série de TV (Popular, em 1999), ficou assustado ao descobrir que os bastidores eram compostos basicamente por "homens brancos heterossexuais em seus 50 anos". Assumidamente gay, e na época em seus 30 anos, ele conta: "Eu lembro de ter me sentido um estranho em uma terra estranha, e era a minha própria série."

    O aumento de cargos de produção entregues a mulheres e minorias é apenas uma fase natural para que a TV possa ter um discurso mais amplo e coerente com o século XXI. A diversidade não pode acontecer somente em frente às câmeras, é necessário que haja mulheres e membros da comunidade LGBTQ escrevendo, dirigindo e produzindo. Caso contrário, não é realmente uma inclusão.

    "O que eu estou tentando fazer é chegar até as pessoas e dizer: 'Nós precisamos das suas histórias'", finalizou Murphy.


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