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    The Young Pope: Confira nossas primeiras impressões sobre a série estrelada por Jude Law
    Por Lucas Salgado — 28 de out. de 2016 às 15:00

    Assistimos aos dois primeiros episódios durante a Mostra de Cinema de São Paulo 2016.

    Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por A Grande Beleza, o cultuado diretor italiano Paolo Sorrentino chega agora com seu mais novo projeto: The Young Pope. Mas com uma novidade: trata-se de uma série de TV co-produzida por HBO, Sky e Canal Plus. A produção, que já tem uma segunda temporada encomendada, já estreou na Itália, mas só chega aos Estados Unidos no início de 2017. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil, mas é provável que acompanhe a estreia americana. Sorrentino juntou os dois primeiros episódios da série para uma exibição especial no Festival de Veneza. E o AdoroCinema pôde conferir a mesma na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. E a julgar pelos capítulos iniciais, estamos diante de mais uma incrível série da HBO.

    Serão dez episódios, todos dirigidos por Sorrentino, então ainda não dá para ter uma noção completa da temporada. Mas já é possível dizer que trata-se de uma produção riquíssima, de grande valor no que diz respeito a figurino, direção de arte, cenários e maquiagem. O espectador tem a clara impressão de que está diante de um documentário sobre o Vaticano. É impossível não destacar ainda o elenco, especialmente Jude LawDiane Keaton e Silvio Orlando. O primeiro vive Lenny Belardo, primeiro pontífice americano a ser eleito Papa pela Igreja Católica. Ele assume como Pio XIII e gera desconfiança entre os cardeais, que não sabem realmente quem ele é. E o mesmo acontece com o espectador, que vai conhecendo aos poucos o líder da Igreja. Jovem, charmosos e nada convencional, Pio XIII vai se mostrando difícil de lidar mesmo para aqueles mais próximos dele. A introdução do personagem é muito bem desenvolvida, passando a impressão de que estamos diante de um religioso moderno e progressista. Aos poucos, vamos vendo um lado mais conservador, que faria até Bento XVI ser chamado de moderado. Keaton, bem envelhecida, surge como a Irmã Maria, uma freira que cuidou de Lenny no orfanato e que logo é elevada a assistente especial do Papa, para desespero do Cardinal Voiello (Orlando), sujeito que arquitetou o conclave que elegeu Lenny e que esperava, por isso, poder controlá-lo. Há muito suspense e intriga política. De certa forma, estamos diante de um "House of Cards do Vaticano". Os cenários são clássicos e suntuosos, mas Sorrentino faz questão de quebrar sempre que pode com algo da modernidade. Isso pode ser visto logo na primeira cena, em que Pio XIII acorda em um quarto clássico, com um rádio antigo, mas usando o despertador do iPhone. Em outro momento, o Papa, com seu figurino tradicional, anda sozinho pelos ambientes escuros do Vaticano, apenas para se deparar com uma onde de turistas com seus celulares e câmeras fotográficas.

    Outra sequência marcante traz padres e freiras em momentos de intimidade ao som da clássica "Ave Maria". Temos cardeais fumando, tomando medicamentos, freiras jogando futebol. E por aí vai. As referências modernas também estão no roteiro. Pio XIII deseja ser um Papa invisível. Não quer ter sua imagem espalhada por todos os lados. E usa como refrência Banksy, Daft Punk, dentre outras figuras misteriosas da cultura pop.  Cabe destacar ainda a trilha sonora, focada no suspense, mas que também brinca com o fato de Papa reclamar do sinal da rádio do Vaticano. Em alguns momentos, podemos notar um certo chiado atrapalhando a melodia. Javier CámaraCécile de FranceLudivine Sagnier e James Cromwell completam o elenco principal da produção. Agora é esperar pelos próximos capítulos. E se forem tá ágeis e inteligentes quanto os dois primeiros, vai ser difícil ter que esperar toda semana por um novo episódio.

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