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    Jessica Jones: Assistimos aos sete primeiros episódios da nova parceria entre Marvel e Netflix

    Confira nossas primeiras impressões - SEM SPOILERS - da produção, que chega às telinhas no final do mês.

    Após o sucesso da primeira temporada de Demolidor (leia nossa crítica!), Marvel e Netflix agora contam com o desafio ainda maior de criar uma série de sucesso a partir de uma heroína não muito conhecida pelo público em geral. O AdoroCinema conferiu os sete primeiros episódios de Jessica Jones e já pode garantir: as empresas conseguiram superar o desafio.

    Passada no mesmo universo Marvel que abriga Os Vingadores, a produção em nada lembra as bem humoradas aventuras cinematográficas de Homem de Ferro, Thor, Capitão América e companhia. O tom aqui é o mesmo visto em Daredevil. Temos uma Nova York sombria e tomada pelo crime, com protagonistas traumatizados e vilões que sabem como explorar tais traumas.

    É onde vive e trabalha Jessica Jones, uma detetive particular que passa boa parte do tempo investigando adultérios e desaparecimentos. Traumatizada por uma situação passada, ela logo demonstra possuir uma força sobre-humana. A jovem tenta levar sua vida sem grandes emoções, mas logo terá que enfrentar alguns fantasmas do passado.

    Após participações em Veronica Mars, Gilmore GirlsBreaking Bad, e de protagonizar a cancelada Don't Trust The B---- in Apartment 23Krysten Ritter parece que finalmente vai conseguir emplacar um hit como protagonista. Ela interpreta uma personagem complexa e repleta de problemas, que se sai bem nas cenas de ação, mas também demonstra certa delicadeza.

    O elenco conta ainda com as boas presenças de David TennantRachael TaylorCarrie-Anne Moss. Eterno Doutor de Doctor Who, Tennant surge como um vilão ameaçador, mas cativante. Ele vive Killgrave, que possui o poder de controlar mentes. E ele parece especialmente vidrado em uma pessoa: Jessica Jones.

    Completando o time, Mike Colter surge muito bem como Luke Cage, que deve ganhar uma série só dele em 2016. O personagem também lida com traumas passados e verá em Jessica a oportunidade para um recomeço. Assim como fez em The Good Wife na pele do traficante Lemond Bishop, o ator demonstra muita força em cena, não apenas por sua presença física, mas também pela intensidade de seu olhar.

    Não vamos entrar em detalhes para não estragar a experiência de ninguém, mas ao longo dos sete primeiros episódios é possível ver o crescimento da personagem e o desenvolvimento de uma trama envolvente e repleta de mistérios. É curioso notar que os problemas em Hell's Kitchen não se resumem ao Rei do Crime. E a expectativa é que o universo Marvel nas telinhas só se expanda daqui pra frente.

    Um dos principais méritos de Marvel's Jessica Jones é não querer dar tudo mastigadinho para o espectador. Não é a tradicional história de origem. Não temos um episódio só para mostrar como conseguiu seus poderes. Eles existem e fazem parte da personalidade da personagem. É claro que aos poucos vamos descobrindo, através de flashbacks, situações do passado da protagonista, mas tudo de forma natural. A sensação é que a história está sempre seguindo em frente.

    Neste sentido, a série também não cai na fórmula - que necessariamente aconteceria na TV aberta - de trazer Jessica investigando um novo caso todo episódio. Seu trabalho como detetive é essencial para a trama, mas não há "o caso da semana", até porque os capítulos foram programados para serem lançados ao mesmo tempo.

    O tom mais sério está presente em vários elementos da produção, como no roteiro, que não evita situações envolvendo álcool e sexo, como na fotografia, que em alguns momentos parece remeter ao cinema noir, dando preferência para sequências à noite. 

    Se Jessica e Killgrave funcionam perfeitamente, o mesmo não se pode dizer de alguns personagens secundários. Na verdade, o problema está mais na forma como a série trata tais personagens e não nas atuações. Carrie-Anne Moss, por exemplo, está bem na pele da advogada Jeri Hogarth, mas a personagem conta com todo um núcleo envolvendo um relacionamento seu que não empolga. O mesmo se pode dizer dos vizinhos de Jessica, que ganham mais tempo em cena do que deveriam.

    Ainda assim, estamos diante de uma ótima produção. É torcer para que os seis episódios restantes não representem uma queda de qualidade na série. E, realmente, não parece que isso irá acontecer. Agora, é esperar até o dia 20 de novembro para conferir todos os episódios de Jessica Jones na Netflix.

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