A verdadeira história de O Senhor das Moscas: 6 meninos passaram mais de um ano em uma ilha deserta, mas com um final bem diferente

Os eventos reais ocorreram após o lançamento do romance, que acaba de ganhar uma nova adaptação no streaming, em uma ilha do Pacífico.

Por Diego Souza Carlos

O Senhor das Moscas voltou aos holofotes graças à nova minissérie dirigida por Jack Thorne, criador de Adolescência. O romance de William Golding, publicado em 1954 e hoje considerado um dos grandes clássicos da literatura britânica do século 20, conta a história de um grupo de garotos que ficam presos em uma ilha deserta após um acidente de avião e precisam se organizar para sobreviver.

O novo projeto, agora disponível já disponível em streaming no Brasil, reacendeu o interesse por uma história que há décadas levanta uma questão bastante perturbadora: o que realmente aconteceria se um grupo de crianças tivesse que sobreviver completamente sozinho em uma ilha? O curioso é que existe uma resposta real.

Em 1965, seis adolescentes tonganeses naufragaram e passaram nada menos que 15 meses em uma ilha desabitada no Pacífico, mas, em vez de reproduzir o caos e a violência do romance de Golding, eles construíram uma pequena comunidade baseada na cooperação. Uma história que ficou conhecida como o Milagre de Tonga e que parece quase uma versão alternativa, e muito mais amena, de O Senhor das Moscas.

Seis adolescentes em uma ilha deserta

Globoplay

Tudo começou em junho de 1965, quando seis estudantes, com idades entre 13 e 16 anos, de um internato católico em Nuku'alofa, capital de Tonga, decidiram fugir para pescar. Mano Totau, Tevita Siola'a, Sione Fataua, Luke Veikoso, Fatai Latu e Kolo Fekitoa estavam fartos da comida da escola e queriam uma aventura que os levasse a lugares como Fiji ou Nova Zelândia. Para isso, pegaram emprestado um barco de um pescador chamado Taniela Uhila, sem jamais imaginar que sua fuga se transformaria em uma luta pela sobrevivência que duraria mais de um ano.

A princípio, tudo parecia sob controle. O mar estava calmo e os meninos adormeceram, mas ao acordarem, encontraram-se em meio a uma tempestade que primeiro destruiu a vela e depois o leme do barco. Sem conseguir navegar, ficaram à deriva por oito dias até chegarem à ilha de 'Ata, um território desabitado no Pacífico que por muito tempo fora considerado praticamente inabitável. Durante esses dias, tiveram que se virar com o pouco que conseguiam encontrar: pescavam com as próprias mãos, coletavam água da chuva usando cocos vazios e compartilhavam tudo o que conseguiam.

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E é aqui que a história começa a divergir radicalmente do romance de Golding. Em vez de lutarem até a morte, os seis adolescentes decidiram se organizar como uma pequena comunidade. Criaram uma horta, armazenaram água da chuva, construíram um galinheiro e até montaram uma academia e uma quadra de badminton usando os materiais que tinham à mão. Dividiram as tarefas e estabeleceram turnos de vigilância para garantir que alguém estivesse sempre cuidando do grupo.

É claro que também houve momentos difíceis. Um dos meninos quebrou a perna ao escorregar de um penhasco, e os outros a imobilizaram e o ajudaram até que se recuperasse. Orações e música também faziam parte da rotina deles, e um deles chegou a improvisar um violão usando um pedaço de madeira, metade de um coco e seis cabos recuperados do barco. Mas a cooperação se tornou a chave para a sobrevivência deles, exatamente o oposto do que acontece no romance, que foi publicado antes desses eventos.

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Eles passaram 15 meses em 'Ata antes de finalmente serem localizados e resgatados pelo Capitão Peter Warner. Nessa altura, em Tonga, toda a esperança de encontrá-los vivos havia se perdido, e até mesmo funerais já haviam sido realizados para eles. Quando retornaram, os cerca de 900 habitantes de sua cidade saíram para recebê-los como sobreviventes milagrosos. A história, no entanto, tomou um último rumo surreal: a polícia os prendeu por roubo do barco que haviam usado para pescar. Warner encontrou uma solução vendendo os direitos de sua história para o Canal 7 da Austrália, que reencenou os eventos e permitiu que os meninos pagassem por sua liberdade.

Durante décadas, o chamado Milagre de Tonga recebeu pouca atenção internacional, até que o escritor holandês Rutger Bregman reviveu a história em seu livro, publicado em 2021. Bregman chegou a entrevistar o Capitão Warner e Mano Totau, que tinha 67 anos na época. No fim, ambas as histórias compartilham elementos em comum, mas o final de uma delas foi bem diferente.

Qual é a história de O Senhor das Moscas?

Globoplay

O Senhor das Moscas acompanha um grupo de meninos britânicos que, após um acidente de avião, formam a sua própria comunidade em uma ilha tropical. Sem adultos por perto, Ralph se torna o líder e, ao lado de Piggy, mantém a ordem no local. Jack, por sua vez, é responsável pela fogueira de sinalização. No entanto, à medida que a nova sociedade se organiza, uma guerra de poder e caça muda totalmente o clima do grupo. Assim, o que antes era um ponto de esperança, aos poucos foi levado ao caos até chegar a uma tragédia.

Com 4 episódios, a nova minissérie O Senhor das Moscas pode ser vista no Globoplay.

Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
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