Existem séries demais atualmente. Mesmo no serviço de streaming mais famoso do mundo, a Netflix, com mais de 100 séries originais por ano e inúmeros outros títulos licenciados, algumas joias verdadeiramente incríveis acabam se perdendo sem piedade. Pantheon é um desses casos. Ou você sabia que uma das histórias de ficção científica mais inteligentes dos últimos anos já está disponível para maratonar no catálogo há bastante tempo?
Desde agosto de 2025, a série animada de ficção científica pode ser assistida na íntegra na Netflix, mas até agora recebeu pouquíssima atenção e segue como um segredo escondido no catálogo da plataforma. Trata-se da dica definitiva para quem busca algo fora do óbvio. Quem é fã de ficção científica técnica e bem elaborada (hard sci-fi) não pode deixar de assistir a Pantheon.
Do que se trata Pantheon
Pantheon é uma série de animação adulta baseada nos contos do autor Ken Liu, finalizada em duas temporadas que somam 16 episódios. A trama começa acompanhando a estudante Maddie Kim, cujo pai faleceu há dois anos. Ele trabalhava para a empresa de tecnologia Logorhythms, que faz experimentos com a digitalização de cérebros humanos com o objetivo de criar as chamadas Inteligências Carregadas (Uploaded Intelligences ou UIs). E é bem provável que essa revolução tecnológica já tenha acontecido.
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Quando Maddie começa a receber mensagens misteriosas de um remetente desconhecido em seu computador, ela chega à aterradora conclusão de que seu falecido pai pode estar existindo como uma consciência digital na nuvem. A busca de Maddie por respostas acaba unindo seu caminho ao de Caspian, um adolescente brilhante cuja vida e existência escondem outro segredo sombrio da Logorhythms.
Sem dar spoilers: este é apenas o começo de uma história empolgante, cheia de reviravoltas e de proporções épicas, que coloca Maddie e Caspian no centro de uma conspiração global — oferecendo dilemas éticos e revelações impressionantes a cada passo.
Um destaque da ficção científica que vale a pena assistir
No início, Pantheon fisga o espectador como um instigante suspense cibernético com referências a Mr. Robot, repleto de jargões técnicos, linhas de código e conspirações sombrias. Contudo, a série vai se tornando mais complexa a cada episódio, sem medo de abordar questões filosóficas profundas sobre a existência humana. Entre elas: o que resta da alma humana no cenário de uma digitalização total?
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Como uma mistura fascinante de conceitos da ficção científica — como transumanismo, pós-humanismo e até a teoria da simulação —, a produção propõe reflexões intrigantes sobre como a tecnologia poderia dar origem a um novo estágio evolutivo da humanidade. Comparações com o clássico cyberpunk Ghost in the Shell não são mera coincidência, já que Pantheon exibe com orgulho suas inspirações no universo dos animes.
É sobretudo na 2ª temporada que a série consolida seu status como uma das produções mais ambiciosas dos últimos anos. Nos oito episódios finais, a construção de mundo e os conceitos ganham dimensões impressionantes, transformando a narrativa em uma saga épica sobre os rumos da humanidade, atingindo o ápice da ficção científica, algo que agradará em cheio aos fãs da trilogia de romances O Problema dos 3 Corpos, de Cixin Liu.
É verdade que os temas abordados não são inéditos e lembrarão produções como Black Mirror, Devs, Upload ou Ghost in the Shell: Stand Alone Complex. No entanto, raramente uma série desenvolve suas próprias ideias com tanta propriedade e coerência até o fim. Para quem aprecia uma ficção científica inteligente e desafiadora, Pantheon é um título indispensável na lista.