O sétimo episódio da 3ª temporada de House of the Dragon trouxe acontecimentos profundos e que valem a pena ser analisados em detalhes. Entre todos os pontos da trama, destacam-se os sonhos proféticos de Helaena Targaryen. A propósito, o texto a seguir contém spoilers do episódio.
Uma das poucas alterações que George R.R. Martin, cocriador da franquia, aprovou com entusiasmo ao adaptar as histórias de Fogo & Sangue e A Princesa e a Rainha foi conceder o dom da profecia a uma das figuras mais trágicas da saga.
As visões de Helaena não eram novidade na série, tendo sido introduzidas ainda na 2ª temporada. Contudo, enquanto em momentos anteriores seus sonhos refletiam o presente, aquele episódio apresentou uma profecia sobre o futuro dividida em três visões intrigantes.
Vida e morte
O primeiro sonho parecia se referir ao término de sua gravidez na época. Helaena dava à luz e seu filho era levado por um soldado. Como Alicent (Olivia Cooke) temia, a simples existência dessa criança representava um novo inimigo (por ser um herdeiro em potencial) na lista cada vez mais extensa de opositores de Rhaenyra (Emma D'Arcy).
O segundo sonho, no qual Helaena surgia montada em Dreamfyre em um Fosso dos Dragões invadido por uma multidão furiosa, funcionava como um presságio direto de acontecimentos futuros. Conforme retratado em Fogo & Sangue, a dragoa ancestral foi um dos répteis mantidos no cativeiro de Porto Real no momento em que o local foi atacado durante a revolta popular.
O detalhe se conecta com um momento do episódio anterior, quando Alys (Gayle Rankin) apresentou cinco ovos de dragão petrificados a Aemond (Ewan Mitchell), que comentou que eles deveriam pertencer a esse espécime majestoso. Uma das grandes teorias entre os fãs defende que os dragões de Daenerys seriam descendentes dessa dragoa ou de Vhagar.
De volta ao Fosso dos Dragões, segundo os livros, quando o ataque ocorre, Helaena já deveria estar morta. A obra original relata que, dias após a Batalha acima do Olho de Deus e depois que a cabeça de seu filho Maelor (o garoto que sobreviveu ao ataque de Sangue e Queijo no livro) foi levada a Rhaenyra, ela teria se atirado da janela. Conta-se que foi exatamente nesse momento que Dreamfyre se libertou de suas correntes no Fosso dos Dragões, fazendo tudo estremecer.
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Esse evento coincidiu com a revolta na qual o povo esquecido (mencionado pelo assassino capturado por Daemon na temporada) tomava a Fortaleza Vermelha e outros pontos da capital dos Sete Reinos. Dessa forma, os dois sonhos se entrelaçavam: a dor de ver seu recém-nascido ser tirado de seus braços sugeria o gatilho para montá-la em Dreamfyre em modo de guerra total.
A Longa Noite
O terceiro sonho trazia um tom ainda mais misterioso: Helaena se encontrava em um curral com seus filhos e algumas galinhas. Ao fundo, via-se um cavalo branco e, no céu, um eclipse. Em seguida, a paisagem se transformava e tudo ficava coberto por uma tempestade de inverno, abrindo margem para diversas interpretações. O cavalo branco, por exemplo, pode ser lido como uma referência à montaria de um dos cavaleiros do Apocalipse, a Morte.
No universo de As Crônicas de Gelo e Fogo, a aparição anterior de um cavalo branco como símbolo marcante ocorreu na temporada final de Game of Thrones, quando o massacre promovido por Daenerys em Porto Real deixou dois sobreviventes: Arya (Maisie Williams) e o próprio animal. Na ocasião, discutiu-se se o cavalo representava a heroicidade pura, a garota que não pôde ser salva ou uma metáfora apocalíptica da própria Arya como a Morte.
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A ideia de um mensageiro da Morte também se conecta ao eclipse. A visão parecia fazer referência à Longa Noite, o período de escuridão que devastou Westeros por uma geração inteira e deu origem a diversas lendas do continente. Vale destacar que as estações do ano nesse universo duram anos, o que tornava a cena um prenúncio de um inverno especialmente longo, escuro e desolador.
Todos os episódios da 3ª temporada de House of the Dragon já estão disponíveis para assistir na plataforma de streaming HBO Max.