Entre Heated Rivalry e Malhação, entendi por que Amores Improváveis é uma das séries mais esperadas de 2026: Primeiras impressões de um recém-chegado em Off Campus
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Estrelada por Ella Bright e Belmont Cameli, série do Prime Video prevista para estrear nesta semana adapta romances de Elle Kennedy.

Vou começar este texto sendo bem sincero: eu não tenho o costume de assistir produções teen, young adult ou new adult com tanta frequência. Elas até fazem parte do que consumo, mas não estão sempre no meu radar. Talvez seja por não ser, necessariamente, o público-alvo ou talvez seja por nem sempre me relacionar com a trama.

A questão é que, justamente por não ter tanta proximidade, quando eu gosto de uma série que consegue me encantar, eu me torno um fã como qualquer outro. Títulos como Eu Nunca..., Overcompensating e Jovem Sherlock ganharam a minha atenção e, depois de alguns episódios, Off Campus tem tudo para fazer parte deste querido grupo. Explico para vocês.

Primeiras Impressões de Amores Improváveis de um recém-chegado ao campus

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Na última semana, o elenco principal de Off Campus esteve no Brasil para divulgar a estreia da primeira temporada da adaptação - sim, como vocês já devem saber, a série foi renovada antes mesmo de ser lançada. Tive a oportunidade de conversar com os atores Ella Bright, Belmont Cameli, Jalen Thomas Brooks, Antonio Cipriano e Stephen Kalyn, além da showrunner Louisa Levy.

Dias antes, recebi os primeiros episódios da série, que aqui ganhou o título de Amores Improváveis, para criar a pauta deste bate-papo. Parte do trabalho, assisti o máximo que pude - foram cerca de 5 capítulos dos 7 liberados - e, além de ter material o suficiente para a conversa, fiquei contente por estar diante de algo fresh, se assim podemos dizer.

Como alguém que não leu os livros, posso descrever este início de temporada com alguns insights curiosos de um calouro no primeiro período da faculdade. A produção tem o flerte com o gênero musical, como em Glee, mas este aspecto não é tão central como na atração de Ryan Murphy. Aqui, a música pop entra como a trilha sonora de um filme: ela conduz os arcos, manifesta o sentimento dos personagens e ainda tem o plus de fazer parte prática da história. Hannah (Bright) tem uma relação direta com a arte e isso acaba sendo um ponto de virada em sua vida de diversas maneiras.

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Falando na protagonista, Ella passeia entre a garota ingênua para abraçar um lugar destemido. Ela enxerga com naturalidade como seus desejos a movem, apesar das limitações de personalidade e os traumas do passado. Este último ponto, inclusive, é tratado de maneira sutil, porém direta dentro dos capítulos vistos. Pode ser controversa a forma como uma situação é exposta à primeira vista, mas essa crueza do roteiro parece proposital ao momento em que a personagem vive.

Por ser uma série que visita o início da vida adulta, um limbo entre o fim da adolescência e o momento em que começamos a pagar as nossas próprias contas, como a própria produtora afirmou na minha entrevista, faz sentido que temas mais densos sejam apresentados.

Em Off Campus, você vai lembrar de High School Musical e Malhação

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De volta à experiência geral, preciso falar como essa série também bebe do legado de High School Musical. Afinal, há música e há esporte. Mas no lugar do time de basquete (WildCats, se liga no jogo!), temos disputas de hockey - talvez a modalidade mais sexy da atualidade, vide a ousada Heated Rivalry. Apesar das cenas dos jogos não serem tão provocativas quanto poderiam (até onde vi, é claro), não posso deixar de fazer esse paralelo nem tão direto, mas presente, entre Troy e Gabriella - Hannah e Garrett. Não é algo novo, mas fazer isso em 2026 dá a oportunidade de mergulhar na vulnerabilidade dos rapazes, em especial de Graham, que vai ficando em evidência ao longo da trama.

Neste balaio de referências, há uma pitada de algo puramente brasileiro, que dificilmente foi usado como inspiração, mas faz parte do imaginário popular de várias gerações: a nossa amada Malhação (que descanse em paz!). O clima de amizade é tão evidente quanto os romances e a tensão sexual que compõem a produção. Seja pela parceria entre Hannah e Allie, que dá gosto de ver na tela, ou pela dinâmica dos garotos, que carinhosamente apelidei de boy band durante o período das entrevistas.

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Essa vibe de irmandade é bem evidente. Quando conversei com os meninos, a sensação foi estar diante dos personagens tamanha a química dos atores. Eles estavam cheios de brincadeiras e protagonizaram um momento tão sexy quanto engraçado que vocês poderão ver em vídeo nos próximos dias.

Essa dinâmica fraternal faz com que haja afeição do público novo, como eu, e, só para não esquecer, a relação com a nossa novela teen do Cabeção e da Vagabanda também se faz nos clichês: uma aposta aqui, uma intriga ali, aquela estrutura que já vimos tantas vezes. O bom é que a partir destas combinações surge uma liga que conecta a audiência e o show.

Sexo e representatividade: nem tudo é um morango

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Por ser uma narrativa que se passa no período da faculdade, o sexo e o clima de pegação não poderiam ficar de lado. Essa fatia vai lembrar muitos de A Vida Sexual das Universitárias. Acredito que seja um dos pilares dos livros, esse ar mais picante do que narrativas que se passam em períodos anteriores da juventude.

Essa atmosfera calorosa, digamos, fica evidente desde o começo quando vemos (alerta de spoiler) um personagem completamente nu logo nos primeiros minutos do episódio de estreia. Inclusive, essa abertura já diz muito: há música, há uma tensão no ar, há humor e há leveza. Tudo se repete até o quinto episódio, pelo menos.

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As cenas íntimas são bem coordenadas e também seguem essa premissa da época de transição tanto dos personagens quanto do potencial público: elas são curiosamente bem executadas, ou seja, não são tão plastificadas como em outras produções do gênero, mas não cruzam um limite a ponto de tornar a narrativa proibidona.

O casal de protagonistas, inclusive, falou um pouco sobre estes momentos durante a entrevista, algo que deve ser liberado em breve tanto em texto como em vídeo. Há uma sequência bem diversa e distante do comum, e até mesmo bonita quanto à liberdade do prazer e do autoconhecimento, que integra esta primeira metade da temporada. Já quanto à diversidade do elenco, não posso dizer o mesmo.

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Não é o caso de não existirem outros corpos, estilos e etnias em Off Campus, mas a representatividade fica muito aquém do que está no foco. Temos a presença de um dos melhores amigos de Hannah, que é um homem gay e negro, e Tucker (Brooks), que nesta adaptação também não é branco. Ambos tem pouco espaço na trama em comparação com os demais. Embora entreguem um ótimo alívio cômico, parecem estar inicialmente ali apenas para o núcleo de humor. Ainda assim, espero ver romances LGBTQIAPN+, outras cores e o desenvolvimento deles no futuro. Sei que o personagem do astro de The Pitt é o protagonista de um dos livros. Vamos esperar.

Em resumo, para alguém que acabou de chegar, Off Campus oferece uma jornada leve, mas cheia de frescor e pitadas picantes que a fazem se afastar do conhecido “água com açúcar”. Não se trata de uma obra-prima, mas pode muito bem se tornar a “série conforto” de novas audiências. Poderia ter cenas musicais mais inspiradas, com direção e montagem mais dinâmicas? Com certeza! Porém, trata-se de uma narrativa para aquecer o coração, dar algumas risadas e, se você teve um período universitário tão divertido quanto o deles (ou como o meu, risos), vai até sentir saudades dessa época cheia de incertezas, mas muitos amigos, romances e um pouquinho de drama.

Amores Improváveis estreia em 13 de maio, próximo quarta-feira.

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