Os Dinossauros, série documental produzida por Steven Spielberg, é uma carta aberta do diretor ao universo pré-histórico. Responsável por uma das maiores franquias de ficção científica da história do cinema, Jurassic Park, o cineasta assume a posição de conduzir esta atração que tenta reproduzir em CGI os hábitos, transformações, detalhes e informações curiosas sobre diferentes espécies dos maiores seres que já pisaram na Terra.
Sobre o que se trata Os Dinossauros?
Netflix
A partir da mais alta tecnologia, a produção viaja 165 milhões de anos em direção ao momento em que os dinossauros dominavam o Planeta Terra. Com narração de Morgan Freeman, a minissérie investiga, por eras, o que a ciência sabe sobre os dinossauros em reconstruções impressionantes. No entanto, nem tudo o que é apresentado no projeto está de acordo com a verdade, de acordo com alguns cientistas e pesquisadores que decidiram apontar certos erros do novo hit da Netflix.
Assim como em qualquer documentário, a checagem de informações apresentadas é crucial para não se propagar desinformação. Uma vez que se distancie do aspecto ficcional devido ao caráter de pesquisa e busca dos fatos, estes projetos precisam de consultorias especializadas para não cometer nenhuma gafe no resultado final.
O que os cientistas acharam de Os Dinossauros?
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Ao programa Today, por exemplo, o Dr. Steven Brusatte, professor da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirma que a minissérie está próxima da excelência em conteúdo e apresentação. “Esta é uma série tecnicamente e cientificamente impressionante, sendo claramente uma das melhores séries sobre dinossauros já produzidas”, disse o paleontólogo.
Apesar de ser surpreendente, a série não deixa de apresentar liberdades criativas ao mostrar a trajetória das criaturas. “Os dinossauros em CGI são, de modo geral, realistas e com aparência natural, e embora eu possa questionar pequenos detalhes como cientista, temos que aceitar que há muita liberdade artística na produção de programas como esses, porque há muito que não sabemos exatamente sobre como os dinossauros se comportavam, se moviam, emitiam sons e interagiam, já que o registro fóssil é limitado”, disse ele.
Depois de Jurassic World: Recomeço, a próxima aventura com dinossauros está a caminho — e agora finalmente temos novos detalhes sobre o blockbuster de ficção científicaNo canal Zoomundo, o paleontólogo brasileiro Bruno Augusta analisou todos os episódios da minissérie. Em suas reações, o biólogo disse ter ficado surpreendido por apresentar aspectos não tão óbvios e espécies esquecidas, apesar de algumas decepções com a produção norte-americana, como a representação de alguns dos animais e detalhes dos principais acontecimentos da época.
"Gostei de ter focado no paquicefalossauro, um dinossauro muito legal, com muitos comportamentos diferentes. Achei uma abordagem diferente", disse ele sobre o início do primeiro episódio. "Mas aí veio a primeira decepção", continuou ele ao citar algumas escolhas do documentário. "Tentam focar a origem dos dinossauros da Argentina, sendo que nós sabemos que os dinossauros mais antigos do mundo hoje são do Brasil".
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Sobre o final da série, ele também pontua: "O grande erro para mim foi terem deixado parecer que o que matou os dinossauros foi o frio, [mas] gente, não foi o frio que matou os grandes dinossauros. Eles morreram por conta do colapso ecológico, da quebra da cadeia alimentar”, explicou.
No Reddit, em um tópico de discussão, alguns também apontaram o misto de elogios e críticas à produção. "A maioria dos dinossauros é retratada sem penas e como animais de sangue frio, do mesmo jeito que eram na minha infância (final dos anos 60)... como se nenhuma nova informação tivesse sido descoberta desde então", escreveu um usuário, enquanto outro ponderou: "Pode ser enganoso devido a informações faltantes/incompletas e ao enquadramento narrativo, mas é um avanço notável em relação a Life on Our Planet."
A nova minissérie da Netflix, produzida por Steven Spielberg, já acumulou mais de 23 milhões de visualizaçõesAinda que alguns possam ter apontado determinadas inconsistências com as informações científicas do documentário, o projeto contou com paleobiólogo Dr. Neil Gostling, da Universidade de Southampton, como consultor da atração.