A mais nova série brasileira da Netflix, Emergência Radioativa, resgata a memória de uma grande tragédia que muitas vezes é esquecida até pelas pessoas que moram na cidade que ela aconteceu. A trama dramatiza o acidente do Césio-137 que contaminou Goiânia no ano de 1987.
Quem comanda a produção no cargo de showrunner é Gustavo Lipsztein, que utilizou uma abordagem semelhante na aclamada Todo Dia a Mesma Noite, minissérie que foca nas consequências e injustiças do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria. E, desta vez, ele traz de volta à tona a reflexão acerca do impacto comunitário de uma tragédia a partir da perspectiva dos médicos, cientistas e autoridades públicas que trabalharam na contenção de danos do desastre radiológico da capital goiana.
Qual foi a substância que provocou o acidente de Emergência Radioativa?
Helena Yoshioka / Netflix
O acidente que assolou Goiânia em 1987 consagra-se como o maior desastre radiológico do Brasil até hoje e também é considerado o maior acidente do mundo que aconteceu fora de uma usina nuclear. Quatro pessoas morreram e outras 249 foram contaminadas diretamente pela alta capacidade radioativa do Césio 137.
O Césio 137 é uma substância metálica que é criada artificialmente a partir de fissão nuclear. O resultado desse processo é um potencial radioativo extremamente potente e, por isso, ele é utilizado na indústria e também no campo médico, para a obtenção de radiografias.
Foi justamente o descarte irregular de uma máquina de radiografia que provocou a contaminação em Goiânia. Um grupo de catadores de lixo encontraram o aparelho em um ferro-velho e ficaram curiosos com o conteúdo azul fluorescente que estava armazenado em uma das câmaras da máquina. Eles não sabiam que o pó brilhante se tratava de Césio-137, uma substância extremamente radioativa e tóxica.
Todos os cinco episódios de Emergência Radioativa já estão disponíveis para streaming na Netflix.