Minha conta
    Entrevista - Estamos Juntos
    Por Francisco Russo — 2 de jun. de 2011 às 10:30

    Entrevista exclusive com diretor Toni Venturi e com as atrizes Leandra Leal, Dira Paes e Débora Duboc.

    Vencedor do Cine PE – Festival do Audiovisual, onde foi premiado em sete categorias, Estamos Juntos chega ao circuito comercial em 3 de junho. A história traz uma jovem médica que vive sozinha em São Paulo e passa a ter um relacionamento com um músico argentino. O problema é que ele é o objeto de desejo de seu melhor amigo, um DJ homossexual. Além disto, ela aos poucos descobre que há algo de errado com seu próprio corpo. O AdoroCinema realizou uma entrevista exclusiva com o diretor Toni Venturi e as atrizes Leandra Leal, Dira Paes e Débora Duboc, na qual conversaram sobre as experiências na realização do filme. O resultado você pode conferir logo abaixo. Boa leitura! CINCO ANOS DE ESPERA Toni Venturi explica que o projeto de Estamos Juntos teve início em 2006, quando começou a captação de recursos. Apenas em 2009 é que o filme, de fato, saiu do papel. Em fevereiro houve a seleção de elenco e das locações, em agosto foi feita a pré-produção e setembro foi o mês dos ensaios. Em 8 de outubro as filmagens começaram, indo até 18 de novembro. A finalização levou todo o ano de 2010 para que o filme, enfim, chegasse ao circuito comercial em 3 de junho de 2011. Cinco anos de espera para a realização de um único filme. ESCOLHA DO ELENCO ”O principal era entender a obra”, afirma Toni Venturi ao responder sobre os critérios adotados na escalação do elenco. “É um filme com núcleo central jovem e esperava que os atores se envolvessem para contribuir na construção de um trabalho. Não vim com uma tese, o convite foi para contar com o envolvimento de forma a apresentar as experiências de cada um. A Leandra (Leal), por exemplo, ficou cinco das seis semanas de filmagens com a gente, teve um envolvimento total. Cada um teve sua temperatura, mas todos tiveram grande importância na construção dos personagens e da narrativa desta história. Era importante um elenco que entendesse esta proposta, não viesse apenas protocolarmente fazer parte do projeto”, disse o diretor. “Havia uma certa autoralidade de todos”, complementa Leandra Leal.

    BRASIL/ARGENTINA Estamos Juntos integra o programa Ibermedia, do qual participam os países de língua espanhola e portuguesa. Toni Venturi explica que uma das exigências era que o coprodutor tivesse um representante no elenco e outro na equipe técnica. Desta forma entrou um técnico de som e Nazareno Casero, intérprete de Juan. “Com o passar dos anos tive tempo para transformar este personagem de forma que não fosse uma presença postiça. O quadrilátero sempre existiu na proposta, só que originalmente era brasileiro. Como há muitos argentinos em São Paulo, resolvi fazer este ajuste de forma muito natural. Só que da mesma forma que conhecia os atores que convidei aqui, não conhecia os atores argentinos. O que foi ótimo, porque durante os meses de preparação revi e vi muita coisa que ainda não tinha visto da cinematografia argentina. Cheguei ao Nazareno através do Crônica de uma Fuga”, conta o diretor. SOBRE A VIDA Leandra Leal é taxativa ao dizer que Estamos Juntos é um filme sobre a vida. “É sobre como você reestrutura sua vida a partir do sem controle que é a própria vida. A Carmem é muito controlada e bem sucedida no que ela se propõe. A vida dela está toda certinha, aí vem a doença e muda tudo. Conhecer este universo médico, algo que foi inédito para mim, foi muito apaixonante também”, declarou. “A ideia era que os atores mergulhassem em universos que não eram sua própria realidade. Eles faziam muito o trabalho de observação, para perceber como estas pessoas agiam. Por exemplo, como uma médica senta?”, observa Toni Venturi. ”Mesmo sem ser ator, a gente cria pré-conceitos. O mais bacana é que a experiência das filmagens os desfez completamente”, complementa Débora Duboc. “Nossa função é trazer a curiosidade para o espectador em relação a este trabalho que está sendo apresentado”, declara Dira Paes. “O roteiro do Hilton (Lacerda) já tem uma pegada quente porque tem a força de alguém que conhece o que está escrevendo, já que ele teve um tumor benigno. O filme então fala fundo deste personagem dentro de um cotidiano. É de uma linguagem e interpretação contemporâneas, que falam profundamente do que há de mais tênue na nossa existência, que é a possibilidade de morrer a qualquer momento.” FILME UNIVERSAL Apesar do fime possuir cenários próprios de São Paulo, Toni Venturi não acha que seja um filme paulista. “Poderia ser em Nova York ou em qualquer outra cidade, é um filme sobre a aldeia. Como diz Tolstói, ‘fale sobre sua aldeia para ser universal’”. Leandra Leal complementa: “É um filme paulista no bom sentido, porque ele se situa em São Paulo não apenas pelo movimento social mas nas imagens da cidade.” ”Estamos vivendo algo que é inédito no planeta, que é a metrópole. Então é São Paulo, mas poderia ser Madri ou Berlim, eles têm o mesmo tipo de movimento por lá. Esta diversidade de cores e texturas você encontra também em várias grandes cidades”, declara Débora Duboc. “Este é um filme com características bem universais, cinematograficamente falando. Os argentinos fazem isto sequencialmente e nós, aqui no Brasil, parece que precisamos ter o compromisso com esta regionalidade de forma a justificar nossa nacionalidade. As pessoas deste filme poderiam ser de qualquer lugar do mundo e esta história poderia ser rodada por um diretor de qualquer nacionalidade. É um filme que dialoga com este cinema universal e isto abre um novo olhar para o espectador”, conclui Dira Paes. DIA DE FESTA Uma das subtramas de Estamos Juntos se refere ao Movimento dos Sem Teto, tema o qual Toni Venturi já havia abordado em Dia de Festa. Questionado sobre o quanto o documentário influenciou seu novo filme, o diretor não pensou duas vezes antes de afirmar que muito. “Houve uma vivência com as pessoas que me emocionou. Não foi algo piegas, de momento. Durante todo o tempo mantive contato, vou muito lá para fazer palestras. A gente reúne os amigos para doar, então acabei construindo uma relação real com eles. Naturalmente, quando estava desenvolvendo o roteiro isto veio. Inicialmente a Carmem seria uma bancária, mas como ela iria parar no movimento? Foi pensando nisto que alterei sua profissão para médica”, conta o diretor. EXPECTATIVA DE PÚBLICO Apesar das reticências iniciais, Toni Venturi enfim revela que a expectativa é que o filme atinja um público entre 120 mil pessoas. “Pé no chão, mas é óbvio que pode vir uma boa surpresa”, ressalta.

    facebook Tweet
    Pela web
    Comentários
    Mostrar comentários
    Back to Top