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    Pesquisa aponta que Hollywood perde 10 bilhões de dólares anualmente devido à desigualdade racial
    Por Nathalia Jesus — 11 de mar. de 2021 às 18:06

    O estudo teve seis meses de duração e mostrou que a indústria cinematográfica tem muito a perder por falta de inclusão racial.

    Quando as questões de diversidade racial na indústria do entretenimento entram em pauta, o benefício é uma via de mão dupla: tanto os grupos sub-representados, quanto a empresa responsável pelas produções têm muito a ganhar. No entanto, quando essa integração não acontece, Hollywood se envolve em um prejuízo bilionário.

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    Em estudo realizado pela McKinsey and Company, responsável pela consultoria empresarial americana, foi revelado que a indústria audiovisual de Hollywood perde cerca de 10 bilhões de dólares por ano. Divulgada nesta quinta-feira (11), a pesquisa teve seis meses de duração e o levantamento de dados apontou que as empresas que combatem as desigualdades raciais em seu núcleo, com a criação e distribuição de conteúdos relacionados à diversidade, podem aumentar, em média, 7% das receitas anuais de toda a marca.

    Descobertas da pesquisa

    A princípio, a McKinsey and Company se baseou em artigos das universidades UCLA e USC, assim como também utilizaram textos publicados pela Variety, que denunciaram os problemas financeiros enfrentados por Hollywood nos últimos dez anos. Com a conclusão da pesquisa, a empresa expôs novos dados, além da perda bilionária da indústria. Confira alguns resultados descobertos pelo estudo:

    • Os orçamentos de produção para filmes com protagonismo negro são, em média, 24% mais baixos do que filmes com protagonistas brancos. O número é ainda pior quando o longa-metragem tem duas ou mais pessoas negras fora da tela, nas posições de diretores, produtores ou roteiristas. Nesses casos, os orçamentos passam a ser 43% mais baixos.
    • Somente 3% dos filmes identificados como “agnósticos de raça” - ou seja, onde a raça dos personagens não é necessária para a narrativa - tinham dois ou mais negros nos cargos mais importantes fora da tela, como direção, produção e roteiro. O número sobe para 6% quando os filmes são relacionados especificamente à raça dos personagens.
    • Filmes sem um produtor negro têm muito menos probabilidade de ter diretores e roteiristas negros. Em Hollywood, 42% dos diretores negros foram escalados em um longa-metragem com produtores negros. Porém, sem pessoas racializadas na produção, apenas 3% possuem diretores negros. Esse dado aponta que os profissionais negros são desproporcionalmente responsabilizados a fornecer oportunidades a outros artistas negros. Sendo assim, a indústria opera como se produtores brancos não tivessem que se preocupar com a questão.
    • Os executivos dos maiores cargos nos setores de TV e de cinema são, em sua maioria, brancos. Enquanto isso, os executivos não-brancos fazem parte de apenas 14% na televisão e 8% no cinema.

    O que resolveria o problema?

    O estudo teve início em julho do ano passado e foi impulsionado pelos protestos Black Lives Matters nos Estados Unidos, após a McKinsey ter doado 200 milhões de dólares em benefício público para promover a igualdade racial. Para realizar a pesquisa, a empresa entrevistou dezenas de profissionais negros em diversos setores da empresa, identificando quase 40 problemas causados pela desigualdade sistêmica.

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    “Você poderia chegar ao auge de ser um engenheiro aeroespacial dentro da NASA se fosse inclusivo”, relatou Sheldon Lyn, um dos autores do estudo. “Em Hollywood, você trabalha com agências, sindicatos, estúdios, redes, produtoras, financiadores, críticos, prêmios e festivais. Se todas essas áreas não trabalharem juntas para resolver as questões de desigualdade racial embutidas no sistema, recuperar o déficit de 10 bilhões de dólares continuará sendo uma meta difícil.” Para resolver o problema, a McKinsey recomenda que os grandes estúdios trabalhem com organizações terceirizadas que se dediquem à promoção da igualdade racial. Além disso, essa medida aliviaria a responsabilidade de um profissional negro ter que inserir outras pessoas negras em seu ambiente de trabalho, ao mesmo tempo em que realizam suas funções regulares. Afinal, essa é uma tarefa para ser realizada em conjunto, pelos demais setores da indústria de entretenimento.

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