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    Nós e Suspíria, dois filmes de terror para fugir dos clichês
    Por Bruno Carmelo — 23 de mar. de 2019 às 09:20

    O cinema além dos fantasmas e das mansões abandonadas.

    Por um destes acasos do circuito comercial, dois dos filmes de terror mais ousados do ano chegam praticamente juntos ao cinema: enquanto Nós, de Jordan Peele, estreou nesta quinta-feira, 21 de março, Suspíria - A Dança do Medo, de Luca Guadagnino, entra em cartaz na semana seguinte, em 28 de março.

    Para os fãs de terror e cinema de gênero em geral, são duas ótimas pedidas. Quando a maior parte das produções repete clichês sem muita originalidade, estes dois filmes são próximos na nossa realidade, e portanto, muito mais assustadores.

    Ou seja, não espere desta vez encontrar as meninas virginais dos filmes de possessão, os adolescentes presos numa cabana na floresta nem o espírito dando sustos num casarão mal-assombrado. Estes códigos não constituem um problema em si, é claro (clássicos como O IluminadoO Exorcista seguem estes princípios), mas o cinema não pode ficar preso a estas únicas fontes de medo.

    Os dois filmes de 2019 fazem referências políticas claras. Nós ataca os Estados Unidos de Trump, com seus muros e suas batalhas de "eu contra os outros" (leia a nossa crítica); Suspíria - A Dança do Medo faz referência à Guerra Fria e à herança maldita do nazismo nas gerações seguintes. Ambos usam a arte como modo de expressão e de terror - a dança ocupa um lugar especial nas duas histórias.

    Principalmente, são duas produções que buscam estabelecer uma ponte entre o "cinema comercial" e o "cinema de arte", levando imagens ousadas ao público médio. A presença de atores famosos ajuda - Tilda SwintonDakota JohnsonChlöe Moretz no caso de SuspíriaLupita Nyong'oElisabeth Moss em Nós -, além do foco nas mulheres como protagonistas.

    É claro que existem diferenças importantes entre eles: o filme de Jordan Peele é bastante cômico, enquanto o de Guadagnino se leva muito a sério; o primeiro parte de um conceito totalmente original, já o segundo adapta de modo livre o clássico dos anos 1970.

    Mesmo assim, é fundamental que o circuito de shopping centers e os multiplexes em geral abram espaço para este tipo de produção desafiadora, que vai deixar o espectador com muitos pontos de interrogação na cabeça, apesar de cumprir com a cota de sangue e mortes esperada do gênero.

    Os fãs de terror merecem.

     

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