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    Olhar de Cinema 2018: Documentário sobre indígena universitário é apresentado com críticas ao governo Temer
    Por Taiani Mendes — 8 de jun de 2018 às 07:13

    Euller Miller Entre Dois Mundos abriu a mostra paranaense dias após estudantes indígenas e quilombolas perderem bolsa federal.

    Certo dia o cineasta Fernando Severo foi procurado por ex-alunos, donos de uma produtora, interessados em firmar parceria num projeto documental sobre indígenas. Nasceu Euller Miller Entre Dois Mundos. Comprovando que timing é tudo, eis que o longa-metragem sobre as experiências do jovem que deixa sua aldeia Kaiowá para estudar Odontologia no Paraná foi exibido pela primeira vez justamente na semana em que o assunto está quente por conta da decisão do governo Temer de não oferecer mais ajuda de custo a indígenas e quilombolas ingressantes no ensino superior federal.

    Responsável por abrir a mostra Mirada Paranaense da 7ª edição do Olhar de Cinema, o filme teve sessão apresentada pelo diretor, que usou o microfone para ler parte da notícia publicada no jornal Folha de São Paulo denunciando o corte das bolsas, por fim chamando o caso de "regressão inominável" e "uma das mais cruéis monstruosidades deste governo golpista".

    Assumidamente didático e reduntante por ter como destino principal a televisão, Euller Miller Entre Dois Mundos explora um tema de fato relevante, mas afora o potencial de levantar debates e a luz jogada sobre um assunto pouco tratado, não vai longe e em termos visuais tem sérios problemas de foco.

    Um achado como personagem, Euller (assim chamado por causa do "Filho do Vento") encontra-se na verdade entre mais que dois mundos, pois do lado materno tem avós índios evangélicos e do lado paterno Kaiowás que seguem as ancestrais tradições - a avó sequer fala português -, mas seu relato soa superficial e mal conduzido. Há um desconcertante abismo de estilo entre a narrativa da breve trajetória do protagonista e os palavrosos depoimentos dos analistas, sobrando no meio, sem muita atenção, pertinentes reflexões amadurecidas de estudantes vindos de outros povos indígenas.

    Iniciado na terça-feira com exibição do drama português Djon África (leia a crítica), o Olhar de Cinema segue até 14 de junho projetando mais de 150 títulos em Curitiba, incluindo clássicos de Jean RouchTúmulo dos Vaga-Lumes e mostras competitivas de longas e curtas.

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