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    Estudo diz que comédias românticas como Simplesmente Amor fazem mulheres tolerarem comportamentos abusivos
    Por João Vitor Figueira — 4 de fev. de 2016 às 21:52

    Levantamento realizado na Universidade de Michigan aponta que comédias românticas ajudam a naturalizar a atitude de "stalkers".

    Comédias românticas podem afetar a percepção feminina de abusos cometidos por homens, afirma um estudo realizado por uma especialista em gênero e sexualidade da Universidade de Michigan. 

    Entitulado "I Did It Because I Never Stopped Loving You" (ou "Eu fiz isso porque eu nunca deixei de te amar", em tradução livre para o português) a pesquisa conduzida pela acadêmica Julia R. Lippman analisou a resposta feminina para filmes que mostram comportamentos românticos masculinos agressivos, como o stalking, quando uma pessoa adota uma postura excessivamente persistente para com outra.

    Foram usados seis filmes na pesquisa, incluindo as comédias românticas Simplesmente Amor e Quem Vai Ficar Com Mary? e os suspenses Dormindo com o Inimigo e Nunca Mais.

    A pesquisa concluiu que mulheres que assistem filmes que exibem comportamentos persistentes masculinos de maneira romantizada tendem a naturalizar essas atitudes e vê-las como aceitáveis. Lippman afirma que filmes assim fazem as mulheres aceitarem o "mito do stalker", que ela define como "uma falsa ou exagerada crença sobre o stalking que minimiza sua seriedade".

    Em Simplesmente Amor, por exemplo, o personagem de Andrew Lincoln é apaixonado pela esposa de seu melhor amigo, interpretada por Keira Knightley. Ele manifesta seus sentimentos por ela indo até a porta da residência do casal no meio da noite e exibe uma série de cartões com mensagens românticas. Em Quem Vai Ficar Com Mary?, o personagem de Ben Stiller um detetive privado para rastrear os passos da mulher por quem ele está interessado.

    Por outro lado, os filmes de suspense que mostram os perseguidores como o que eles realmente são fizeram das mulheres que participaram da pesquisa menos tolerantes a comportamentos masculinos obsessivos.

    "No final das contas, todos esses filmes tratam do mito de que 'o amor conquista tudo'. Só que, é claro, as coisas não são assim. O amor é incrível, mas o respeito a outras pessoas também", afirmou Lippman.

     

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