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    Olhar de Cinema 2015: Koza é O Lutador (Darren Aronofsky) em versão eslovaca

    Realidade e ficção se confundem no longa-metragem, exibido no último festival de Berlim. Uma versão subnutrida de O Lutador, tão ou mais impactante quanto o filme cultuado de Darren Aronofsky.

    Estados Unidos, 1996: Peter Baláž é um boxeador profissional, defendendo seu país nos jogos olímpicos de Atlanta. Eslováquia, 2015: um pneu é arrastado por uma estrada coberta de gelo. O objeto faz parte do treinamento de "Koza", quase 20 anos depois.  

    Par quem não se lembra, em O Lutador (2008), aclamado filme do diretor Darren Aronofsky indicado a dois Oscar, Randy "Carneiro" Robinson (Mickey Rourke) é um lutador de wrestler, uma vez famoso, que se sustenta através das lutas e também de "bicos". Depois de sofrer um infarto, ele se vê pressionado a retornar ao ringue, para uma revanche que pode mudar a sua vida. Paralelamente, ele se resigna de ter abandonado a filha (Evan Rachel Wood).

    Koza - o filme de estreia do eslovaco Ivan Ostrochovský na ficção, exibido na última edição do Festival de Berlim - é como é conhecido Peter “Koza” (que significa "cabra") Baláž, um ex-boxeador olímpico, sem glórias no passado no entanto, que mal dá conta de pagar as despesas da casa que divide com a mulher e a filha. Quando sua esposa, Miša, descobre que está grávida, o pressiona para arrumar dinheiro para custear o aborto. Apesar de não ter as mesmas condições físicas de antes, ele se submete a ganhar uma ninharia por quatro lutas, sendo explorado por seu empresário impaciente.

    No conceito, além do ringue como cenário, os dois filmes trazem em comum a justaposição entre um passado promissor e a dura realidade do futuro/presente, pontuado por dramas familiares. Realidade e ficção também se confundem em ambas as obras, quando, ao mesmo tempo que O Lutador significou um "retorno" na carreira de Rourke a um papel digamos... levado a sério, Peter Baláž é ao mesmo tempo personagem e o nome do "ator" protagonista do filme europeu, que realmente competiu nos Jogos Olímpicos de 1996 em Atlanta.

    Perto do primo americano, por outro lado, o eslovaco faz parecer o "independente" O Lutador um filme de tantos recursos técnicos quanto Avatar. Objetivo (sem nenhuma grande reviravolta), seco (os sentimentos são sublimados), quase mudo (não há nenhuma trilha sonora ou canção ao longo de toda projeção, nem mesmo nos créditos de encerramento), é nessa economia que o filme se faz rico de significados.

    Sobra a (não)interpretação de Peter (e de um elenco mínimo e igualmente expressivo, como o duro empresário e o involuntariamente hilário técnico) e um sentimento melancólico de cortar o coração. E tudo isso impresso em uma lindíssima fotografia. Cinema, enfim.  

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