por Roberto Cunha
A noite era de festa. Um vídeo bem bacana deu ao público presente na sala de projeção um panorama da história do festival, com cenas desde as primeiras edições e, em seguida, chegava a vez da homenageada da noite, Eva Wilma subir ao palco para receber o Troféu Cidade de Gramado. Depois de assistir junto com o público uma vídeo-homenagem sobre a carreira, a atriz disse que não iria chorar e que tinha, na verdade, vontade de cantar.
Citando os agitadores culturais, como Eduardo Abélin, ela falou da grande honra de retornar à cidade que sempre a recebeu de braços abertos. Emocionada, disse que gostaria de voltar a fazer cinema (seu último filme foi O Signo da Cidade, de 2007) e, brincando, falou "essa atriz" (apontando para a tela e referindo-se a ela mesmo) até "merecia voltar, fazer mais filmes". Aplaudida de pé, Wilma não escondia sua alegria.
Na cidade para exibir, pela primeira vez, o seu mais novo longa 360, Fernando Meirelles foi chamado ao palco para conversar rapidamente com a plateia. O cineasta fez um panorama do festival que ele admira, comentou sobre o período de glória, de vacas magras e da abertura para os filme latinos. Frisou o fato de que seu filme não era nacional e nem latino e que ter sido convidado para abrir o evento era motivo de orgulho, sinalizando os novos tempos de Gramado.
Ele aproveitou ainda para elogiar a atriz Maria Flor, que também subiu ao palco, dizendo que ela foi guerreira ao "enfrentar" Anthony Hopkins em cena e, pela primeira vez, em inglês. Para finalizar o discurso, Meirelles fez questão de lembrar a todos que seu filme era pequeno, intimista e muito diferente de tudo que já tinha feito. "Não vou falar mais nada. Deixo vocês assistirem", recebendo os aplausos.
Infelizmente, na hora que começaria a exibição, um apagão pegou todos de surpresa, criando um certo clima de suspense no ar. Mas foi interessante ver que embora tenha demorado alguns minutos para ser resolvido, o público em momento algum manifestou decepção ou uma vaia foi ouvida. Pelo contrário, resolvido o caso, os aplausos foram quase que automáticos. Ou seja, definitivamente, o dia era de festa. Ao fim de exibição, o diretor conseguiu curtir as palmas do público, que parecia ter mesmo gostado do longa. Nas conversas trocadas no intervalo, inclusive, essa impressão foi comprovada.
O tempo passou e chegava a hora de Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida, primeiro filme nacional na competição, entrar em cena. Antes disso, porém, o jovem cineasta Matheus Souza (acima) foi chamado para apresentar seu trabalho. Visivelmente nervoso e na companhia de sua equipe, provocou risos com um discurso despojado, falando, entre outras coisas, que tinha parado de pagar contas para viabilizar o projeto. Mesmo dizendo que achava meio cafona, disse que era "um filme feito com amor". E finalizou com a mesma pegada: "Espero que vocês gostem do meu pequeno bebê". O público aplaudiu as palavras e ao fim de projeção, prejudicada por um ruído de uma casa de show que insistia em ser protagonista da noite, a plateia voltou com as palmas. Fim da primeira noite. ;)
LEIA MAIS