Festival de Gramado - Eva Wilma e Rubens Ewald Filho conversam com a imprensa

Começou nesta sexta-feira, 10, a festa do cinema nacional e latino na cidade Gramado. O evento recebe personalidades do mercado cinematográfico e promete uma competição diferenciada, ao mudar o pefil dos filmes selecionados. Seja bem-vindo!

por Roberto Cunha

Animado com a abertura, o crítico Rubens Ewald Filho falou na primeira entrevista coletiva, realizada nesta sexta (10) que a experiência como curador do Festival de Gramado 2012 foi positiva e que a divisão de tarefas com o jornalista Marcos Santuário e o ator José Wilker correu da melhor forma possível.

Ewald disse ainda que eventuais brigas entre ele e Wilker não passam de boatos. Numa conversa reservada com o AdoroCinema, ele nos contou que acredita até que esse "clima" não é de todo ruim, pois deixa no ar um certo suspense. Ao ouvir isso de alguém apaixonado por cinema como ele, o raciocínio até que faz sentido.

Ewald falou pra gente que o processo de seleção correu bem, mas não foi tão fácil porque as regras do festival, ligadas a inscrição, acabam impondo restrições que penalizm alguns títulos que ficaram prontos depois e não puderam participar. De qualquer forma, o crítico deixou clara sua animação e usando a linguagem "da atualidade", brincou, "é um reboot", fazendo alusão aos novos filmes (americanos) que andam recomeçando as histórias do zero. Ele fez questão também de frisar a opção por obras menos autorais que devem fazer a diferença nesta edição.

Quando Eva Wilma sentou-se à mesa com eles, o crítico fez questão de dizer que era um fã apaixonado por essa que é "uma das primeiras estrelas do cinema brasileiro". Wilma falou de sua experiência nos três "palcos" (cinema, TV e teatro), lembrou do famoso programa Alô Doçura (1954) e quando perguntaram sobre a experiência no cinema, com grande nomes, como Roberto Farias, Luís Sérgio Person, ela lembrou também de Walter Hugo Khouri, com que fez A Ilha (1963). E completou, citando o amigo Paulo Autran, "sempre presente", disse ela: "Cinema é de diretor. A TV é do Ibope. Ele (o cinema) precisa de atores que se liguem no diretor".

Feliz com a homenagem e falando sobre os festivais anteriores, a atriz tem forte lembrança da época de Pra Frente, Brasil, não só pelo contexto histórico, mas porque o filme tinha ainda seu marido Carlos Zara, que viveu um torturador na ficção e sofreu na vida real. O filme, por sinal, faturou o Kikito de Melhor Filme e Melhor Edição na época. Marcos Santuário aproveitou para lembrar que ela esteve na cidade de Gramado quando o evento era ainda uma mostra, um embrião do que viria a se tornar nos anos seguintes.

Sobre a seleção comentada por Ewald Filho, entre muitas dezenas de inscritos, a competitiva nacional continua neste sábado, 11, com a comédia Super Nada. A lista de filmes inclui ainda o suspense O Som ao Redor, o drama O Que Se Move, o inusitado road movie Colegas, dois documentários com a música no DNA (Jorge Mautner - O Filho do Holocausto e Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!) e mais duas comédias: Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida (que abriu a competição na própria sexta-feira) e Insônia.

Leia mais sobre a programação e veja as fotos do primeiro dia.

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