Está cada vez mais comum encontrar animações vindas de países fora do eixo tradicional entre Estados Unidos e Japão conquistando grande alcance e aclamação. A cinematografia francesa vem avançando a passos largos, como ficou evidente com diversas produções no Festival de Cannes. Foi justamente nesse cenário que se destacou o longa Arco.
A cor que veio do futuro em Arco
Escrito e dirigido por Ugo Bienvenu, este filme de apenas 79 minutos entrega uma aventura fantástica e repleta de cores que se consolida como uma das maiores surpresas do ano para os fãs do formato. Trata-se de uma ficção científica indicada ao Oscar na categoria de Melhor Animação que já pode ser assistida no Brasil através da Mubi.
No ano de 2932, os seres humanos habitam as nuvens e se deslocam pelo tempo e espaço usando trajes que deixam um rastro de arco-íris por onde passam. Cansado de esperar pelo momento em que finalmente poderá voar, o jovem Arco Dorell rouba seu futuro traje para testá-lo, perde o controle e acaba caindo no ano de 2075. Lá, ele desenvolve uma forte amizade com uma garota que fará de tudo para ajudá-lo a voltar para casa.
Os elementos de fantasia, o ritmo pausado e paciente na condução da ação, certas nuances caóticas e a inspiradora relação de amizade apontam na mesma direção: uma clara influência do Studio Ghibli, marca que Arco exibe com orgulho.
MountainA / France 3 Cinéma
Ainda assim, a obra de Bienvenu apresenta algumas limitações decorrentes de sua proposta extremamente modesta. Seja por restrições orçamentárias ou escolha deliberada, os acontecimentos são retratados de forma um pouco superficial, incluindo uma forte mensagem ecológica defendida com veemência, mas com pouco aprofundamento.
Isso não chega a ser um grande problema, mas estabelece um limite para o alcance cinematográfico de Arco. Mesmo assim, o espetáculo visual proporcionado pelas cores é impressionante, e o compromisso em manter a animação prioritariamente em duas dimensões é louvável. É uma excelente opção para toda a família que impulsiona com brilho a evolução da animação francesa.