Leonardo DiCaprio comprou uma ilha por 1,75 milhão de dólares e decidiu usá-la para proteção ambiental: seu plano é visionário, mas também há críticas!

Há 21 anos, Leonardo DiCaprio adquiriu uma ilha de 42 hectares no Mar do Caribe. Seu plano: torná-la acessível aos seres humanos — e, ao mesmo tempo, salvar o ecossistema degradado. Como isso deve funcionar, você lê aqui.

Por Marco Rigobelli

Leonardo DiCaprio é, sem dúvida, a própria definição de um gigante de Hollywood. Há quase 30 anos, ele alcançou o grande sucesso graças ao mega-blockbuster de James Cameron, Titanic, e, desde então, a carreira do ator nascido na Califórnia só seguiu em ascensão. Ele venceu um Oscar de Melhor Ator (por O Regresso), tornou-se o ator favorito de Martin Scorsese (Assassinos da Lua das Flores) e também trabalhou com os maiores diretores do mundo: de Steven Spielberg e Christopher Nolan a Clint Eastwood, passando por Quentin Tarantino e Paul Thomas Anderson.

Mas DiCaprio não é apenas um dos atores mais requisitados e bem pagos do mundo — ele também usa sua fama regularmente para se engajar ativamente na proteção do meio ambiente. Em seu discurso no Oscar de 2016, por exemplo, ele não se limitou aos agradecimentos habituais, mas chamou a atenção de um público de milhões para a crise climática. Por meio de sua própria fundação, ele já arrecadou mais de 100 milhões de dólares para a proteção de espécies ameaçadas e a preservação de ecossistemas em todo o mundo.

E há também a ilha Blackadore Caye, na costa de Belize, que DiCaprio adquiriu ainda em 2005 por cerca de 1,75 milhão de dólares. Claro que não é raro ver estrelas investindo sua fortuna em propriedades ou terras desabitadas. No entanto, ao contrário de muitos de seus colegas, o objetivo de DiCaprio não era construir uma vila de luxo privada na área de cerca de 42 hectares ou usá-la como um paraíso para festas.

Os planos ambiciosos de Leonardo DiCaprio para Blackadore Caye

Antes de passar para as mãos do astro de Hollywood, a ilha estava em um estado desolador: anos de pesca excessiva, o desmatamento radical dos manguezais e a crescente erosão da costa haviam danificado gravemente o ecossistema. DiCaprio decidiu, então, transformar Blackadore Caye no primeiro resort restaurativo do mundo.

Por trás disso há um conceito que vai muito além do ecoturismo tradicional: enquanto em empreendimentos semelhantes o objetivo principal costuma ser impactar o mínimo possível a natureza, DiCaprio buscava curar ativamente a ilha por meio da presença humana. O projeto deveria devolver à natureza mais do que retira dela, garantindo assim que a biodiversidade original retornasse à ilha.

Para colocar esse plano em prática, o ator contratou uma equipe de biólogos e engenheiros ambientais para projetar vilas de férias sustentáveis, enquanto, paralelamente, trabalhava-se em medidas para a recuperação ecológica da ilha. Os planos preveem o plantio de milhares de mangues nativos para conter a erosão costeira e reestabilizar o solo. Abaixo da superfície da água também haverá intervenções: está prevista a construção de recifes artificiais para oferecer um habitat protegido para corais e espécies de peixes ameaçadas.

20th Century Studios

De acordo com o conceito, toda a energia para o projeto deve ser 100% obtida a partir da energia solar, enquanto o abastecimento de água se baseará no tratamento da água da chuva. O detalhe talvez mais importante, no entanto, é a divisão da área: para que a flora e a fauna possam realmente se regenerar, o projeto prevê que cerca de 60% da ilha permaneça como uma reserva natural estrita, totalmente inacessível aos seres humanos.

Também há críticas aos planos de DiCaprio

O que também não deve ser omitido: apesar dos nobres objetivos ecológicos, houve resistência ao longo dos anos. Pescadores locais expressaram preocupação em perder suas áreas tradicionais de pesca, enquanto alguns ambientalistas criticaram que mesmo um resort "verde" poderia representar uma interferência excessiva no ecossistema intocado. DiCaprio e sua equipe adaptaram seus projetos várias vezes para, por exemplo, priorizar com mais força a proteção dos peixes-bois nativos da região e resguardar melhor os interesses dos moradores locais.

Mas, atualmente, tudo isso ainda é plano para o futuro, pois até hoje o projeto ambicioso não foi totalmente realizado. O início das obras, originalmente planejado para o final dos anos 2010, foi adiado várias vezes, e os progressos visíveis publicamente na ilha continuam escassos. Embora ainda existam projetos conceituais e renderizações para o resort restaurativo, não há previsão de quando Blackadore Caye será de fato inaugurada.

Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.
Links relacionados