O uso simultâneo de múltiplas câmeras é uma das marcas registradas da filmografia de Ridley Scott. E, com o passar dos anos, ele vem testando os limites do método, chegando a rodar onze lentes ao mesmo tempo em Gladiador II e quatorze em Napoleão. Seguindo a lógica, o elenco de Ponto Sem Retorno precisou a se adaptar à abordagem pouco convencional.
Ainda que a quantidade de equipamentos seja um desafio técnico nos bastidores, a captação tende a ser mais rápida, raramente ultrapassando quatro takes por cena. A rapidez acontece pois o diretor garante que garante que cada sequência seja registrada de diversos ângulos e proximidades.
"Quero sair. Tem algo muito errado": Ridley Scott deixou astro de Hollywood com medo no set de novo filme de ficção científicaJacob Elordi achou o método de múltiplas câmeras de Ridley Scott desafiador e viciante
20th Century Studios
Jacob Elordi, que protagoniza a ficção científica como o piloto de avião Higs, afirma que ter cerca de uma dezena de câmeras gravando uma mesma cena mantém os atores em estado constante de presença e atenção porque todos estão sempre em foco no quadro:
"A coisa das múltiplas câmeras é realmente interessante porque todo mundo está no close-up ao mesmo tempo. Ninguém deveria fazer isso quando se faz um filme, mas muita gente faz: quando é o close-up de outra pessoa, eles se entregam mais ou menos 50% na cena,. Como a atuação de todos está em jogo, todo mundo dá 110% porque sabe que só tem três ou quatro takes para conseguir a cena com o Ridley filmando", disse Elordi em entrevista ao Collider.
Apesar do desafio de estar em constante estado de alerta e pouco espaço para erros, o australiano relatou que, à partir de certo ponto, começou "a ficar viciado nesse processo porque não dá para pensar demais. Você só tem que mergulhar de cabeça e confiar nele", completou.
Ponto Sem Retorno, de Ridley Scott, entra em cartaz nesta quinta-feira, 27 de agosto, nos cinemas brasileiros.