Um dos destaques da 54ª edição do Festival do Cinema de Gramado colocou em debate questões de poder, fé e religião com a exibição de Justino - Nos Bastidores do Reino, estrelado por Christian Malheiros (Sintonia) e baseado no livro “Nos Bastidores do Reino: A Vida Secreta na Igreja Universal de Reino de Deus”, escrito por Mário Justino, um dos pastores de maior prestígio da instituição que, após uma saída trágica e relação com a liderança interna da igreja, chegou a planejar o assassinato de Edir Macedo.
O filme assinado por José Eduardo Belmonte (Assalto à Brasileira) agradou ao público do Festival com uma trama que trouxe o testemunho do pastor Justino ao centro da discussão sobre exploração da crença e sobre o exílio de uma figura que foi afastada de seu ofício e, mesmo caindo em desgraça, encontrou o caminho para a recuperação do corpo, da mente e da fé.
A entrada do protagonista para a igreja foi marcada por uma grande ascensão: além de representar para ele uma oportunidade de sair da pobreza, revelou-se também uma oratória e uma capacidade de conexão com os fiéis que o tornou uma figura influente chamou a atenção do Pastor Azevedo (Caio Blat).
Depois, veio a queda: ao descobrir que Justino mantinha um relacionamento secreto com outro homem, a igreja “recomendou fortemente” o casamento com uma mulher, com que ele constituiu família — mas os desejos reprimidos e os comportamentos desaprovados pela instituição o levaram de volta à miséria.
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Filme sobre pastor é inspirado em 25 anos de uma história real
O diretor José Eduardo Belmonte se saiu bem nos recortes escolhidos para contar a história: condensar a vida toda de uma pessoa em duas horas é impossível. Em entrevista ao AdoroCinema, o cineasta relembrou os principais desafios.
“Acho que houve uma questão humana, de se manter sintético e fiel ao testemunho, que é muito mais do que uma denúncia. E aí tem a questão logística: é um filme gravado em três países, seis cidades. São 25 anos de história, então foi bem complexo” disse.
O filme alterou os nomes das instituições e pessoas reais que inspiraram a história, mas a figura do Pastor Azevedo — em uma ótimo trabalho de Caio Blat — aponta diretamente para as críticas ao sistema de capitalização da fé. Apesar disso, o cineasta reforça que a ideia não é atacar aa religião e nem seus seguidores, mas sim refletir sobre nossas própria contradições em uma trama que valoriza a redenção pela fé, ao mesmo tempo em que faz um regrado do Brasil.
“A gente tem muita consciência de que fizemos as críticas de forma honesta. Acho que o filme procura muito respeitar a doutrina, a religião. Para quem conhece a teologia, o cristianismo, acho essa uma história muito cristã”, reflete o diretor.
Justino - Nos Bastidores do Reino ainda não tem data de estreia oficial nos cinemas.