Este ano tem sido bastante especial para os fãs de terror, com o sucesso de bilheteria de filmes como Obsessão, Backrooms: Um Não-Lugar e Pânico 7, mas nenhum me impactou tanto quanto Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte, de Jane Schoenbrun (Eu Vi o Brilho da TV), que está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Com impressionantes 95% de avaliações positivas da crítica no Rotten Tomatoes e nossa crítica no AdoroCinema de 4,5 de 5 estrelas, Acampamento Miasma conversa profundamente com os fãs de slasher. É feito por alguém que entende a obsessão pelos filmes de terror e como eles nos mudaram para sempre desde o primeiro contato.
Qual é a história de Acampamento Miasma?
MUBI / Retrato Filmes
Kris (Hannah Einbinder) é uma jovem cineasta queer contratada para comandar um aguardado reboot de uma franquia popular de terror conhecida como Camp Miasma. Ela espera que a protagonista da história seja a estrela do filme original, Billy (Gillian Anderson), e visita a atriz, agora reclusa e envolta em mistério, para conversar sobre o projeto. Nesta busca, as duas mergulham em um mundo de sangue, desejo, medo e delírio.
Uma metalinguagem sexy e sangrenta pelos filmes de terror slasher
MUBI / Retrato Filmes
Não faltam filmes de terror metalinguísticos desde que Pânico popularizou esse recurso nos anos 90, mas são poucos que conseguem trabalhar isso com criatividade – algo que Acampamento Miasma tem de sobra, indo muito além do apelo nostálgico.
Jane Schoenbrun usa da metalinguagem para colocar em prática como os filmes de terror conversam diretamente com nossa identidade, nossos medos e desejos, e quer que a gente experimente tudo isso junto com a protagonista interpretada pela Hannah Einbinder (Hacks), enquanto as barreiras entre ficção e realidade vão se rompendo.
É fascinante como Acampamento Miasma não tem medo de se entregar aos exageros visuais, seja nas mortes com sangue de CGI ou pelos cenários pintados à mão, para fazer com que a gente mergulhe completamente neste universo de fantasia dos filmes de terror – ao mesmo tempo que ele começa a invadir a realidade e impactar Kris. É assim que se apresenta uma homenagem repleta de metalinguagem aos slashers, que reconhece o problemas dessas produções e também sua importância na formação dos fãs de terror, ressignificando elas para uma identidade e vivência queer – dentro e fora das telas.
A dupla Hannah Einbinder e Gillian Anderson é o coração do filme, em diálogos honestos e intensos sobre desejo e filmes de terror. Anderson, a eterna Dana Scully de Arquivo X, traz uma atuação tão sedutora, misteriosa e hipnotizante que forma uma química perfeita com a entrega emocional que Einbinder transmite de forma tão orgânica.
No final das contas, Acampamento Miasma é uma jornada de libertação sexual através dos filmes de terror, fazendo uma declaração de amor intensa e apaixonada por todas essas obras e o poder delas em nossas vidas. O filme está em cartaz nos cinemas.