Quem cresceu durante o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000 sempre teve contato com diferentes versões do Homem-Aranha. Antes disso, o herói já era uma das joias mais preciosas da Marvel, mas seguiu como uma mina de ouro para a Sony Pictures pelas mãos de Sam Raimi e, além disso, nunca deixou de ter quadrinhos populares e animações em diferentes estilos.
Como um fã que assistiu inúmeras vezes aos primeiros filmes e se alegrou com a chegada de Miles Morales tanto em HQ quanto nas animações, seguir acompanhando o Amigão da Vizinhança sempre veio com camadas diferentes de compreensão, mas algo nunca mudou: o afeto pelo personagem é fruto de sua constante escolha em proteger os demais e enfrentar mais um obstáculo, porque sempre era o certo a se fazer, mesmo que sacrifícios sejam necessários.
20 anos de Homem-Aranha: Como o filme de Sam Raimi mudou o cinema de super-heróis para sempre?Agora, tantos anos depois e três franquias diferentes do Homem-Aranha nas telonas, a quarta aventura solo do herói de Tom Holland acaba de chegar aos cinemas. Depois de ter visto pelo AdoroCinema, só posso dizer que este filme, embora tenha seus tropeços, é um reencontro com algumas ideias que sempre me fizeram admirar Peter Parker e, em algum lugar mais profundo, me fez compreender que sempre seguir umo a Um Novo Dia é o caminho.
Homem-Aranha: Um Novo Dia é o melhor filme do Peter Parker - e de Tom Holland como o herói
Marvel / Sony
Falei em um vídeo de primeiras impressões que este filme evoca o Sam Raimi em muitos momentos - e é fato. Destin Daniel Cretton, o diretor, tentou preservar o máximo de efeitos práticos, algo comum nos filmes do Tobey Maguire, mas também apresentou uma nova versão daquele Peter Parker no início da vida adulta. Embora o atual tenha um pouco mais de dinheiro, aparentemente, ainda enfrenta problemas para pagar o aluguel e para se ver no mundo além do seu traje heróico.
Os paralelos entre estas abordagens também ressoam no aprofundamento da pessoa embaixo da máscara. Nos anos 2000, o personagem enfrentou dilemas que o afetaram profundamente, o ensinaram de forma dura como é ser um verdadeiro herói. Aqui, nesta versão madura proposta pela interpretação de Holland, ele não apenas enfrenta diversos obstáculos nas ruas de Nova York, mas também absorve e repassa coisas que aprendeu neste momento em que, aos poucos, se torna um jovem veterano no MCU.
A solidão de Peter, a forma como tem dificuldades em retornar à sua vida civil e como acaba focando apenas no Homem-Aranha para desviar da insegurança dos problemas pessoais também dão uma dimensão maior à quem é esse personagem em essência. Em um projeto que chamei de “possível melhor filme do Tom Holland”, esta é a versão do Cabeça de Teia que todo mundo esperou desde De Volta ao Lar.
O novo filme da Marvel com a Sony é um alívio no desgaste do MCU e, de certa forma, eleva Thunderbolts*
Marvel / Sony
Não me entendam mal, mas os últimos filmes da Marvel não atingiram o potencial esperado por muitos motivos. Entre Deadpool & Wolverine, Capitão América: Admirável Mundo Novo, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos e Thunderbolts*, apenas o último tem algo a dizer. Enquanto o primeiro não tem história alguma para além de vários - e divertidos, eu confesso - rios de fanservice, o segundo não fez jus à introdução de Sam Wilson de Anthony Mackie como o novo Capitão América.
Embora até goste da versão retrofuturista da Primeira Família da Marvel, o roteiro fraco e a decisão de deixar toda a coloração opaca não colaboraram para o filme. Apenas Os Novos Vingadores conseguiu dar um pouco de oxigênio ao gênero que colapsa na saturação em um estúdio que também estagnou em fórmulas do passado.
Quem Sadie Sink interpreta em Homem-Aranha: Um Novo Dia? Filme com alta aprovação no Rotten Tomatoes apresenta spoilers do futuro da MarvelO resultado do projeto que introduz a equipe disfuncional da Casa das Ideias não teve a melhor das bilheterias, mas apresenta uma interessante história sobre saúde mental, com uma fotografia que brincou com o sentimento dos antiheróis através de cores e texturas que nem sempre aparecem nas aventuras chapadas do MCU - vale dizer que isso é fruto do trabalho da equipe de Treta, da A24.
Homem-Aranha: Um Novo Dia é uma lufada de ar neste dia quente que insiste em se estender não por fazer milagres, mas por entender a essência do personagem enquanto apresenta uma produção coletiva aos olhos do público. Tanto a história quanto a montagem tem muito mais substância do que os três primeiros filmes de Jon Watts. No entanto, além disso, a fotografia zela pelo aspecto urbano da cidade e a direção conduz um dos personagens mais flexíveis de todos os tempos com brilhantismo.
Homem-Aranha: Um Novo Dia tem cenas pós-créditos?Há uma outra herança de Thunderbolts* no longa, mas para evitar spoilers, eu diria apenas que é dada a devida importância aos diálogos que compõem as principais cenas da obra. Isso é fundamental para que possamos compreender os personagens e nos afeiçoarmos, mais uma vez, àqueles que já haviam ganhado nossa simpatia ou darmos uma chance à quem acabamos de conhecer.
A intervenção da Marvel Studios em Homem-Aranha: Um Novo Dia é bem nítida no terceiro ato e na forma como tenta amarrar outras histórias à jornada de Peter, mas em um filme com tantos acerto, vou deixar essa passar (mas falarei mais disso na crítica).