As expectativas de fãs e críticos eram altíssimas quando, em novembro de 2007, foi anunciado oficialmente que Christian Bale interpretaria John Connor em O Exterminador do Futuro - A Salvação, quarto filme da franquia criada por James Cameron. Lançado em 2009, o longa foi concebido como o início de uma nova trilogia, mas esse plano jamais saiu do papel.
Apesar do enorme investimento de cerca de 200 milhões de dólares, o filme arrecadou apenas 371 milhões de dólares nas bilheterias mundiais, um desempenho bem inferior ao de seus dois antecessores. A recepção da crítica especializada também ficou longe do esperado.
Muitos apontaram as fragilidades da narrativa e a falta de ousadia para desenvolver a história e seus personagens. Na época, o crítico Jan Hamm definiu o longa como "um blockbuster sem carisma", comandado por um diretor "sem visão própria". E é justamente o estadunidense McG, quem até hoje recebe duras críticas do próprio Christian Bale.
O vencedor do Oscar por O Vencedor ficou tão decepcionado com a experiência em O Exterminador do Futuro - A Salvação que, anos depois, respondeu de forma categórica ao ser questionado sobre uma possível nova parceria com o cineasta.
"Me dê uma chance"
Sony Pictures Releasing International
Para McG — nome artístico de Joseph McGinty Nichol —, O Exterminador do Futuro - A Salvação era, até então, o maior e mais caro projeto de sua carreira. O diretor havia conquistado notoriedade com As Panteras (2000) e As Panteras: Detonando (2003), duas comédias de ação que foram bem nas bilheterias e consolidaram sua reputação como um jovem diretor capaz de comandar grandes produções comerciais.
No entanto, antes de assumir O Exterminador do Futuro, McG havia dirigido apenas mais um longa: o drama esportivo Somos Marshall (2006), que fracassou comercialmente. O fato de o diretor ter apenas três filmes no currículo fez Christian Bale questionar sua capacidade para assumir um capítulo tão importante da franquia.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, o ator revelou que foi bastante sincero durante o primeiro encontro entre os dois. Segundo Bale, ele afirmou diretamente a McG que sua experiência e filmografia não pareciam suficientes para comandar o quarto filme da saga. O diretor, porém, insistiu para conquistar sua confiança.
"Ele me disse: 'Todo mundo precisa evoluir, e eu quero fazer de O Exterminador do Futuro um novo capítulo da minha carreira. Por favor, me dê um voto de confiança'", relembrou Bale. Além disso, McG garantiu ao ator que estava totalmente preparado para comandar uma produção daquele porte.
Promessas que não se cumpriram
Christian Bale decidiu acreditar nas palavras do diretor e aceitou participar do projeto. O resultado, no entanto, ficou muito abaixo de suas expectativas. Hoje, O Exterminador do Futuro - A Salvação costuma ser lembrado menos pelo filme em si e mais pelo famoso áudio vazado em que Bale perde completamente a paciência durante as filmagens, protagonizando uma das discussões mais conhecidas dos bastidores de Hollywood.
Ao relembrar a experiência, o ator deixou claro que sua avaliação sobre McG permanece negativa: "Há espaço para diferentes abordagens e diferentes personalidades na indústria cinematográfica", comentou Bale.
Embora diplomática, a declaração deixa evidente que, em sua visão, o entusiasmo inicial e o esforço de McG para convencê-lo não foram suficientes para superar os problemas do roteiro e da história — um roteiro que, segundo o próprio ator, já não o convencia desde o início da produção. Questionado se havia sido correto dar uma oportunidade ao diretor, Bale foi direto: "Não voltarei a trabalhar com ele, mas desejo tudo de bom para sua carreira.", finalizou o ator.