Conduzido por um Al Pacino imperial, O Pagamento Final nos leva a Nova York, no ano de 1975. A história nos apresenta Carlito Brigante, uma antiga figura do crime organizado local. Ele retorna para casa, no bairro espanhol do Harlem, após cumprir uma pena de 5 anos de prisão.
Seu desejo é se reinserir na sociedade e abrir um negócio honesto nas Bahamas com a mulher de sua vida. Mas o passado o persegue, e aquilo que um dia o transformou em um poderoso chefão do crime agora corre o risco de lhe custar a vida...
O Pagamento Final: A redenção de um criminoso
Menos espalhafatoso e ostensivo que Scarface, O Pagamento Final é a antítese daquela obra lançada 10 anos antes, também liderada por Brian De Palma e Al Pacino. Aqui, o tom é muito mais sombrio e crepuscular, com um herói em busca de redenção cujo destino atinge o público em cheio no coração.
Mais cativante que Tony Montana e mais humano que Don Corleone (O Poderoso Chefão), Carlito Brigante oferece a Al Pacino un papel impressionante, no qual o ator entrega uma doçura surpreendente.
A narrativa, inclusive, vai na contramão do estilo chamativo de Scarface, mostrando a redenção de um gângster em vez de sua ascensão. Carlito é uma figura melancólica e trágica, e isso fica evidente desde o início!
Afinal, seu destino é inevitável, e o espectador já sabe disso logo na abertura do filme, que mostra Carlito ferido em uma maca. Toda a história, portanto, se desenvolve como um longo flashback. Sabemos que ele provavelmente não sobreviverá, mas, ainda assim, torcemos para que consiga mudar de vida. Essa tensão entre o que já sabemos e o que desejamos torna o final particularmente emocionante.
Universal Pictures / Epic Productions
Uma conclusão cruel
Além disso, a fatalidade é extremamente cruel nesse desfecho. Após sobreviver a uma perseguição espetacular na estação Grand Central e escapar dos mafiosos mais perigosos, ele acaba sendo morto por Benny Blanco, um criminoso de rua que ele havia poupado e humilhado anteriormente. O perigo não veio do grande inimigo esperado, mas de um detalhe de seu passado que ele havia subestimado.
Essa ironia trágica acerta o espectador em cheio no rosto, como um verdadeiro soco surpresa. Brian De Palma nos faz passar por um turbilhão de emoções com a mítica sequência de perseguição na estação, antes de nos arruinar com esse fim terrível, que nos deixa genuinamente sem palavras.
Assim, a última imagem é impregnada de melancolia. Enquanto agoniza, Carlito olha para um cartaz que retrata uma praia paradisíaca, que parece ganhar vida com Gail, sua amada. Esse sonho de liberdade nunca é alcançado por ele, mas ele mantém a esperança de que ela e o filho deles consigam chegar lá. É um final trágico, mas não totalmente sem esperança.
Universal Pictures / Epic Productions
De Palma inspirado
No fim das contas, o que torna essa conclusão memorável é também a direção magistral de Brian De Palma. A longa perseguição na estação, o suspense crescente e o silêncio que se segue ao disparo criam um contraste impressionante entre a esperança de uma nova vida e a brutalidade do passado que retorna.
Essa é, inclusive, uma das grandes diferenças em relação a Scarface: Tony Montana morre por causa de sua ambição e arrogância, enquanto Carlito Brigante morre justamente quando tenta escapar do mundo do crime. Essa oposição explica por que muitos espectadores consideram o final de O Pagamento Final bem mais comovente do que o de Scarface.
Todos esses elementos reunidos transformam o desfecho desta obra-prima em um dos finais mais belos da história do cinema, perfeitamente sintonizado com a trilha sonora dolorosa composta por Patrick Doyle.
Se você quiser assistir a O Pagamento Final, o filme está disponível no catálogo da plataforma Mubi.