Logo na cena de abertura de Enola Holmes 3, a jovem detetive interpretada por Millie Bobby Brown abandona o noivo, Lord Tewkesbury (Louis Partridge), no altar para partir em uma missão ao lado do Dr. Watson (Himesh Patel) em busca de seu irmão desaparecido, Sherlock Holmes (Henry Cavill). No entanto, cerca de uma hora e meia depois, ela finalmente oficializa a união com Tewkesbury, agora com a bênção de sua mãe, Eudoria Holmes (Helena Bonham Carter).
A noite de núpcias do casal começa com um mergulho no Mar Mediterrâneo, na costa de Malta. Enquanto os dois se beijam, um espetáculo de fogos de artifício ilumina o céu ao fundo. Parece um final perfeito — e, de certa forma, é. Afinal, Enola Holmes 3 é o primeiro filme da franquia que não adapta diretamente um dos livros de Nancy Springer, nos quais o romance nunca teve grande destaque.
Mas a história ainda guarda uma última surpresa. Em vez de subir os créditos imediatamente, a câmera mergulha sob as águas, passando pelos pés do casal até alcançar o fundo do mar, onde revela um navio naufragado. Em seu casco está escrito: "The Wrath of Adeline 1863". A cena deixa claro que esse nome tem algum significado. A questão é: qual?
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Um teaser para Enola Holmes 4?
Quando os créditos começam, o número "3" gravado na data "1863" se transforma no mesmo "3" do título Enola Holmes 3. Naturalmente, a primeira impressão é que a sequência esteja preparando o terreno para um quarto filme.
No entanto, essa teoria encontra alguns obstáculos. Nos 10 livros da série escrita por Nancy Springer não existe nenhuma embarcação chamada The Wrath of Adeline, tampouco uma personagem chamada Adeline ou qualquer referência ao ano de 1863.
Ainda assim, isso não significa muita coisa. O próprio Enola Holmes 3 apresenta uma investigação completamente inédita, criada exclusivamente para os cinemas, além de acontecimentos — como o casamento de Enola e a ambientação em Malta — que também não fazem parte da obra original.
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Mesmo assim, é pouco provável que a cena já revele a trama de Enola Holmes 4. O motivo é simples: a continuação ainda não foi oficialmente anunciada, e dificilmente os produtores se comprometeriam com uma história específica antes de avaliar a recepção do terceiro filme.
O verdadeiro significado da cena
Em vez de antecipar o futuro, a sequência final parece destacar um detalhe importante que Enola — e o próprio público — deixou passar durante a investigação. Ao longo do filme, a protagonista encontra um código Morse no espelho do quarto de Sherlock que aponta para a cidade afegã de Khost.
Mais tarde, porém, descobre-se que essa pista não foi deixada por Sherlock, mas sim por Moriarty (Sharon Duncan-Brewster), que pretendia manipular Enola para encontrar um tesouro escondido.
Pouco depois, investigando condecorações militares ligadas ao Afeganistão pertencentes ao pai de Tewkesbury, Enola encontra um soldado britânico que, antes de morrer, consegue pronunciar apenas uma palavra: "Wrath".
Henry Cavill não é mais o Superman, porém uma de suas franquias mais bem-sucedidas está retornando à NetflixCom essas pistas em mãos, ela volta a analisar o diário criptografado de Sherlock e percebe que o irmão também havia encontrado as palavras "Wrath" e "Adeline". Nesse momento, porém, ela comete um erro crucial: conclui que Adeline seria uma mulher e passa a acreditar que se trata de mais um dos pseudônimos usados por Moriarty. A partir daí, abandona essa linha de investigação para concentrar todos os esforços na pista de Khost.
Nem mesmo uma Holmes é infalível
Embora Enola encontre uma caixa de ouro escondida na caverna, tudo indica que aquilo representa apenas uma pequena parte do verdadeiro saque obtido por oficiais britânicos durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã. A maior parte da fortuna provavelmente continua escondida no fundo do mar, dentro do navio The Wrath of Adeline, revelado apenas nos instantes finais do filme.
Sob essa perspectiva, a última cena funciona menos como uma preparação para uma continuação e mais como um lembrete de que até mesmo Enola Holmes pode deixar escapar uma pista importante.
A data "1863" reforça essa interpretação: se a embarcação foi construída naquele ano, faz sentido que tenha sido utilizada alguns anos depois durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878–1880), tornando-se o provável destino final do tesouro desaparecido.