O Diabo Veste Prada está, sem sombra de dúvidas, entre os filmes que assisti mais vezes ao longo da minha vida – e até hoje se eu passar por ele na televisão, provavelmente vou parar para rever e sentir o mesmo quentinho confortável no coração. Com isso, Andy, Miranda, Emily, entre outros personagens icônicos, ganharam um lugar tão especial na minha memória que as primeiras notícias de que o filme ganharia uma sequência me provocaram a mesma reação da chefe da Runway: eu torci o bico, sim.
Já faz alguns anos que as sequências de filmes de sucesso se tornaram a fórmula certeira para garantir retorno em bilheteria e assim os estúdios não perderam tempo (mas perderam a mão) para espremer um pouco mais alguns de seus grandes títulos, que incluem clássicos como Matrix, Jurassic Park, O Exorcista, sem contar com uma longa lista de animações. Mas, não sei, talvez a presença de Anne Hathaway e Meryl Streep tenha abençoado esta continuação e, sim, O Diabo Veste Prada 2 é uma sequência com razão de existir.
O Diabo Veste Prada 2 é uma boa continuação?
Direto ao ponto? Sim, é uma boa continuação. O universo que O Diabo Veste Prada nos apresentou em 2006 é um terreno fértil a ser explorado em uma continuação porque o mercado jornalístico, artístico e publicitário passou por mudanças gigantes (e assustadoras) nas últimas décadas, com muitos novos elementos entrando em jogo. O prestígio dos grandes veículos impressos não é mais o mesmo e, com isso, as enormes verbas também sumiram. Em 2026, Andy nos apresenta uma área profissional sucateada, tomada por demissões em massa e cortes de gastos, e em transformação profunda para o digital.
Walt Disney Studios Motion Pictures
Partindo dos desafios que a protagonista precisa enfrentar agora, a sequência propõe uma história modernizada, que dialoga com o mundo real atual e que lida com questões relevantes – tudo isso enquanto resgata personagens que reencontramos como velhos conhecidos. Forma-se, então, uma boa combinação entre a novidade e uma nostalgia que, sejamos sinceros, não é à toa que funciona tão bem: às vezes, precisamos do tipo de conforto que apenas estar em um universo já conhecido é capaz de oferecer.
Em meio a uma lista de continuações, remakes e reboots que não têm outra razão de existir que não a financeira, O Diabo Veste Prada 2 é uma ótima surpresa. Eu, que me considero uma fã ferrenha (não só do filme, mas do livro original que inspirou a adaptação), respirei aliviada no fim. O longa de 2026 tem uma mensagem para transmitir, trata com carinho seus personagens e traz aos fãs a sensação de retornar, com entusiasmo, a uma história que marcou sua época. E “isso é tudo”, como diria Miranda.
O Diabo Veste Prada 2 estreia nos cinemas nesta quinta-feira (30).