A casa Grifinória é a mais amada em Harry Potter, mas nem tudo são flores: Nos livros, ela é diferente do que vimos no cinema
Luiza Zauza
Jornalista em formação dividida entre a paixão pelo cinema e pela música. Como coração é grande, cabe desde comédias românticas até documentários musicais. Sempre em busca de encaixar sua devoção por Jorge Ben Jor e John Carpenter em alguma conversa.

Essa casa é comumente associada à valentia, mas talvez J.K Rowling a tenha narrado mais imprudente do que imaginava.

Deixemos claro desde já que isto não é uma crítica ao leitor que, como bom fã de Harry Potter, se identifica com a Grifinória. Trata-se, antes, de analisar a forma como a autora, J.K. Rowling, retratou a principal característica da Casa: a coragem. Pode parecer um detalhe menor, mas se o associarmos a outros conceitos que perderam o sentido com o tempo, como os Dementadores ou a Poção Polisuco, não é raro chegar à conclusão de que a escritora se perde em suas próprias ideias. A coragem, mal empregada, pode se transformar em imprudência, e é isso que vamos comprovar hoje.

A síndrome de protagonista

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No universo de Harry Potter, cada Casa de Hogwarts está associada a um valor fundamental: Sonserina representa a ambição; Corvinal, a sabedoria; Lufa-Lufa, a lealdade e Grifinória, a coragem. Considerando que esta última é a que tem maior destaque, já que tanto o protagonista quanto os personagens coadjuvantes mais populares pertencem a ela, há muitas situações para verificar se a coragem que demonstram é verdadeira ou se é apenas imprudência.

Os alunos da Grifinória têm uma tendência natural de se lançarem ao perigo. Na grande maioria das vezes, isso gera uma série de problemas que geralmente são resolvidos graças à intervenção de Hermione, Dumbledore ou de qualquer outro bruxo.

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Por exemplo, em A Pedra Filosofal, eles continuam sendo crianças de 11 anos que decidem roubar o mineral por conta própria, em vez de recorrer aos adultos. Em A Câmara Secreta, Harry e Rony não hesitam em pegar o carro voador (ao invés de simplesmente avisar os Weasley), nem em pular para dentro do covil do basilisco ou se aventurar na floresta das aranhas.

Em O Prisioneiro de Azkaban, Harry está convencido de que, a princípio, deve enfrentar Sirius (lembremos que ele tem 13 anos). Em A Ordem da Fênix, eles decidem ir ao Ministério. Em O Enigma do Príncipe, Dumbledore (que também é da Grifinória) não hesita em beber uma poção desconhecida na caverna dos Inferi e, finalmente, em As Relíquias da Morte, o trio protagonista ousa entrar no Gringotts, apesar de ser um local de segurança máxima. Isso sem falar em outros personagens imprudentes como os Marotos, Seamus Finnigan (e suas explosões) ou os gêmeos Weasley.

Um privilégio desmedido

Warner Bros

É importante ressaltar que, em parte, essa atitude generalizada da Casa Grifinória de não temer os perigos é incentivada pelo próprio Dumbledore, que parece não impor nenhuma regra de conduta aos seus membros. Além disso, todos nos lembramos do famoso banquete de fim de ano letivo em que ele concedeu “alguns pontos extras de última hora” e cometeu a maior trapaça já vista. Nos livros, personagens como Snape ou McGonagall são mais rigorosos do que o próprio diretor, que, às vezes, beira a negligência.

Isso não significa que não existam personagens que demonstrem verdadeira coragem. Ginny Weasley, Neville, Molly, Hermione ou a própria McGonagall são bons exemplos disso. A primeira não hesita em interceder por seus entes queridos, Neville é capaz de enfrentar seus colegas em defesa de sua Casa, Molly não hesita em enfrentar Bellatrix ou McGonagall a Snape, mas sempre em contextos justificados.

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É necessário também evidenciar que, sendo Harry Potter o protagonista, é ele quem demonstra mais atitudes imprudentes, já que essa é a forma de Rowling fazer a trama avançar. Isso não seria um problema se não fosse pelo fato de que tal comportamento parece ser exaltado como uma virtude, sem muitas consequências durante sua estadia em Hogwarts, quando, na verdade, ele poderia ter acabado em desgraça, se não fosse pelo poder do roteiro. Essa tendência seria herdada mais tarde por seu filho Albus, que não hesitaria em usar um gira tempo de forma irresponsável ou pular de um trem em movimento.

Harry Potter: A Série
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Data de lançamento 2026-12-25
Séries : Harry Potter: A Série
Com Dominic McLaughlin, Arabella Stanton, Alastair Stout

A série de Harry Potter, que recomeça com um novo elenco a história de J.K Rowling, estreia no Natal de 2026 na HBO Max.

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